O voto divergente de Luiz Fux na tarde de ontem (25) durante o julgamento do núcleo central da organização criminosa que tentou o golpe de estado em 2022 deu esperanças às defesas de Jair Bolsonaro e Walter Braga Netto.
Fux ficou conhecido durante a Vaza Jato por ser o ministro do Supremo Tribunal Federal em que o então juíz da Lava Jato Sergio Moro depositava suas esperanças. A frase In Fux We Trust (Em Fux Confiamos) ficou famosa por constar nos chats revelados pela Operação Spoofing.
O voto divergente de Fux nesta terça-feira pedia que o julgamento do núcleo 1 fosse para o plenário do Supremo Tribunal Federal, medida que poderia retardar a condenação de Bolsonaro. A defesa dos réus desejava esta mudança por conta da presença de Kássio Marques e André Mendonça, juízes ligados ao bolsonarismo, no tribunal.
A decisão do ministro alegrou a defesa de Bolsonaro, liderada por Celso Vilardi, mas também a de Walter Braga Netto, comandada por José Luiz de Oliveira.
“Durante a ação penal, como bem destacou o ministro Fux em sua observação, ao analisar a validade da colaboração de uma pessoa que prestou nove depoimentos – os quais a defesa considera manifestamente equivocados e mentirosos –, a defesa entende que essa foi uma luz no poderamento do ministro Fux, que inclusive teve um eco na manifestação da ministra Carmen Lúcia e na própria fala do ministro presidente Zanin”, disse o advogado do general de quatro estrelas.
A expectativa e grande dúvida para o julgamento desta quarta-feira (26) se tornou, justamente, o voto de Fux em relação à aceitação da denúncia da Procuradoria-Geral da República, que decide se Bolsonaro e os outro sete indiciados se tornarão réus.
Se a aceitação da denúncia não é um problema, a unanimidade pode estar em xeque com um voto divergente de Fux, que pode, novamente, ser o homem em que a extrema direita deposita as suas esperanças no Supremo Tribunal Federal.