A ministra Cármen Lúcia fez uma forte declaração ao votar a favor de tornar Jair Bolsonaro (PL) réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Ao relembrar toda a trama golpista do ex-presidente e aliados e expor a gravidade do plano, a ministra destacou que a "ditadura vive da morte".
Em seu voto, Cármen Lúcia citou a historiadora Heloisa Starling e seu livro "A Máquina do Golpe", onde a escritora mostra como a democracia foi desmontada até o golpe de 1964 que instaurou a ditadura militar no Brasil. Para a ministra, o livro mostra como "não se faz um golpe em um dia e como o golpe não acaba em uma semana nem um mês".
Cármen Lúcia destacou algumas evidências, como a chegada de centenas de pessoas a Brasília no mesmo dia, horário e local, de como os atos golpistas de 8 de Janeiro fizeram parte de um plano minuciosamente arquitetado. "A máquina funcionando para desacreditar o que é da confiança do cidadão e da cidadã brasileira de que é confiável, seguro, rígido e correto o processo eleitoral brasileiro", declarou a ministra.
Ela ainda acrescentou que "a democracia vive da confiança que a sociedade tem de que é melhor viver com os outros para que a gente tenha maior possibilidade de ter alguma segurança individual e social e cada um poder aperfeiçoar seus talentos, cumprir suas vocações e ter a chance de fazer da vida uma aventura para ser feliz". "Isso a democracia propicia. Isso a ditadura não permite", afirmou.
Ela ainda citou o ministro Flávio Dino lembrando que se no dia 8 de Janeiro não morreu alguém, a ditadura que viria a ser implantada mataria. "Ditadura mata. Ditadura vive da morte. Não apenas da sociedade, não apenas da democracia, mas de seres humanos de carne e osso que são torturados, mutilados, assassinados toda vez que contrariar o interesse daquele que detém o poder para seu próprio interesse", disse a ministra.
Cármen Lúcia ainda afirmou que é justamente papel da Constituição brasileira e do Judiciário impedir grupos armados e tipificar como crimes algumas ações, como as que ocorreram nos atos golpistas.
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