Está marcada para esta quarta-feira (26) a votação de pelo menos sete proposições bolsonaristas da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CEDN). Uma delas passa pano para o deputado federal "autolicenciado" Eduardo Bolsonaro (PL) em uma "homenagem" que promove o "reconhecimento à sua destacada atuação na defesa dos interesses nacionais e da democracia brasileira no cenário internacional".
Os autores são os bolsonaristas Mário Frias (PL-SP) e o deputado Zucco (PL-RS). A moção de "moção de louvor" a Eduardo foi propostq nessa segunda-feira, 24.
O deputado Filipe Barros (PL-PR), que substiui o filho 03 do ex-presidente na presidência da comissão, também apresentou um Requerimento 1/2025, solicitando a realização de uma audiência pública com o Ministro da Defesa. O objetivo é que o ministro exponha as "prioridades" da pasta para o ano de 2025.
Além desse requerimento, há outro do deputado Zucco que pede a convocação do Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira para "discutir a posição brasileira nos conflitos internacionais e a diplomacia com os Estados Unidos após a eleição de Donald Trump". Outra proposição, do deputado Alburquerque (Republicanos-RR) exige "a proteção da fronteira Brasil-Roraima-Venezuela" e as "políticas de valorização dos militares" em todo o território nacional.
Leia todas as proposições.
Fuga de Eduardo para os EUA
Após confirmar que fugiu para os Estados Unidos e anunciar que não retornará ao Brasil, pedindo licença de seu mandato parlamentar, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) passou a vender a ideia de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria ficado intimidado com sua decisão, já que sua permanência nos EUA serviria para articular retaliações ao magistrado junto ao governo Trump.
Na última terça-feira (18), o extremista confirmou que havia fugido para os EUA, anunciando que não retornaria ao Brasil e que pediria licença de seu mandato para permanecer no país norte-americano. Eduardo era alvo de uma ação protocolada pelos deputados Rogério Correia (PT-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ) na Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitava a apreensão de seu passaporte por crime de lesa-pátria. O motivo: há meses, o parlamentar vem articulando com o governo dos EUA retaliações contra Moraes e até mesmo sanções contra o próprio Brasil.
Quando anunciou sua permanência nos EUA, Eduardo Bolsonaro já sabia que a PGR se manifestaria contra a apreensão de seu passaporte – algo que foi confirmado horas depois e posteriormente endossado por Moraes, que decidiu não reter o documento do filho do ex-presidente.
Segundo a jornalista Bela Megale, do jornal O Globo, Eduardo havia sido informado por um interlocutor do PL junto ao Judiciário que a PGR se posicionaria contra a apreensão. A informação foi tão precisa que bolsonaristas planejavam um ato na Câmara dos Deputados em solidariedade a Eduardo, no qual segurariam seus passaportes como forma de protesto. No entanto, a manifestação foi desmobilizada pelo líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante, sob o argumento de que a questão já estava "pacificada".
Os fatos desmontam a narrativa de Eduardo Bolsonaro de que Moraes teria desistido da apreensão por receio de sua decisão de permanecer nos EUA e desafiar o Judiciário brasileiro. Além disso, a situação reforça que Eduardo não é vítima de "perseguição", como tenta alegar em seu discurso vitimista.
O filho de Jair Bolsonaro tem se aliado a parlamentares da extrema direita estadunidense para pressionar o governo dos EUA a impor retaliações contra Moraes, relator do inquérito sobre a tentativa de golpe, e até mesmo sanções contra o Brasil.
Seu objetivo é claro: constranger Moraes e o governo Lula com o respaldo dos EUA, tentando influenciar o curso das investigações sobre a tentativa de golpe. A intenção final é livrar Jair Bolsonaro da prisão e reabilitá-lo politicamente para um eventual retorno ao Palácio do Planalto. Além disso, Eduardo aposta na imposição de sanções norte-americanas contra o Brasil como estratégia para enfraquecer a gestão de Lula e pavimentar o caminho para que seu pai volte ao poder.
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