Eduardo Bolsonaro (PL), que se “autolicenciou” do cargo de deputado federal para organizar uma rota de fuga para o pai, admitiu que não vê mais saída “para evitar” a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decide nesta terça-feira, 25, se o tornará réu no caso da tentativa de golpe de Estado.
A fala foi feita durante participação no podcast Inteligência Ltda. nesta segunda-feira por videoconferência: "Eu já não acredito mais que exista saída, não só para Jair Bolsonaro, mas para todas as pessoas simples que estão sendo condenadas a até 17 anos de cadeia por conta do 8 de Janeiro. Você pode botar o Ruy Barbosa para advogar a favor do Bolsonaro, que ele não vai se livrar de uma condenação" , vitimizou-se. Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) acompanhavam no estúdio.
"Com isso em mente, eu sigo o exemplo do Trump: ele já sabia desse jogo de cartas marcadas e apostou tudo na política. Levar a voz dele ao maior número de pessoas possível. Se o Bolsonaro perder o capital político dele, já era, o Alexandre de Moraes vai trancafiar ele na cadeia e jogar a chave fora", disse o deputado licenciado. "O meu principal objetivo hoje é brecar um psicopata chamado Alexandre de Moraes”
Após denúncias de que fugiu para os EUA com dinheiro público e se manteve com o salário de deputado federal, Eduardo usou uma justificativa surreal para solicitar seu afastamento da Câmara por 122 dias, que serão contados a partir desta quinta-feira (20). No site da Câmara, o perfil do filho "03" de Jair Bolsonaro (PL) já aparece como "não está em exercício". Essa é a primeira vez em 34 anos que a casa legislativa não tem um representante do clã - o ex-presidente iniciou seu primeiro mandato em 1991.
No pedido de licença apresentado, Eduardo dá duas justificativas surreais, que não têm amparo na realidade.
Para justificar a licença de 2 dias, o filho de Bolsonaro alegou que fara um "tratamento de saúde". Os outros 120 dias de afastamento - prazo máximo permitido pela Câmara - são justificados como "licença para tratar de interesse particular".
"Licenciou-se do mandato de Deputado(a) Federal, na Legislatura 2023-2027, em Afastamento Conjunto Consecutivo, sendo 2 dia(s) para Licença para Tratamento de Saúde e 120 dia(s) para Licença para Tratar de Interesse Particular, a partir de 20 de Março de 2025", diz o site da Câmara.
A justificativa já foi contestada pela deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), que enviou um ofício à Mesa Diretora da Câmara solicitando que o afastamento anunciado por Eduardo Bolsonaro seja tratado como abandono de mandato. A parlamentar argumenta que o deputado está usando indevidamente o recurso da licença parlamentar, que, por lei, deve ser destinada a questões pessoais, e não políticas.
“Eduardo Bolsonaro está nos EUA conspirando contra os interesses do Brasil em articulação com a extrema direita internacional. Isso, por si só, poderia ser considerado crime lesa-pátria. Agora, ele quer se licenciar do cargo porque tem medo de ser preso e pretende continuar tramando golpes no exterior. O regimento interno da Casa e a própria Constituição precisam ser respeitados”, afirmou Fernanda Melchionna.
O ofício também foi assinado por outros deputados do PSOL, como Sâmia Bomfim (SP), Glauber Braga (RJ), Luiza Erundina (SP), Chico Alencar (RJ), Tarcísio Motta (RJ), Talíria Petrone (RJ), Célia Xakriabá (MG) e Ivan Valente (SP).
R$ 150 mil
Em meio a 4 viagens aos EUA desde que Donald Trump assumiu seu segundo mandato na Casa Branca, no dia 20 de janeiro, Eduardo Bolsonaro registrou presença em apenas 13 sessões do plenário e tem 5 ausências não justificadas atuando como vice-líder da oposição.
Enquanto levava a família para Arlington, no Texas, onde está morando, o filho "03" continuou recebendo salários e benefícios da Câmara, que somam R$ 150.775,33 somente entre janeiro e fevereiro de 2025.
Além dos R$ 90 mil reais de salário - R$ 44.008 recebidos em janeiro e R$ 46,3 mil em fevereiro -, Eduardo consumiu R$ 51.924,62 da cota parlamentar para manter, inclusive, o escritório em São Paulo.
O filho de Bolsonaro, que mal pisou em Brasília, também fez questão de abocanhar os R$ 4.253,00 mensais - totalizando R$ 8.506 no período - de auxílio-moradia, benefício dado aos deputados que não querem usar um dos 447 apartamentos funcionais que a Câmara tem em Brasília.
Jair Bolsonaro foi denunciado por cinco crimes que, juntos, podem resultar em uma pena de até 43 anos de prisão, considerando as penas máximas e os agravantes apontados na denúncia. A PGR solicita sua condenação por organização criminosa (de 3 a 8 anos, podendo chegar a 17 com agravantes), abolição violenta do Estado Democrático de Direito (4 a 8 anos), golpe de Estado (4 a 12 anos), dano qualificado com violência e grave ameaça (6 meses a 3 anos) e deterioração de patrimônio tombado (1 a 3 anos).