Uma análise realizada em 2021 pelo engenheiro e perito Sergio Ejzenberg, especialista em transportes, foi determinante para que o governo Lula, por meio da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), órgão de Estado que tem apoio técnico-administrativo do Ministério dos Direitos Humanos, pedisse a reabertura das investigações sobre o acidente ocorrido em 1976, durante a Ditadura Militar, que matou o ex-presidente Juscelino Kubitschek.
Juscelino morreu por volta das 18h do dia 22 de agosto de 1976 após o Opala, conduzido pelo motorista e amigo Geraldo Ribeiro, em que viajava rumo ao Rio, pela via Dutra, atravessou o canteiro e se chocou de frente com uma carreta. Os dois ocupantes morreram na hora.
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As investigações conduzidas pela Ditadura afiram que o carro ficou desgovernado após ser atingido por um ônibus da viação Cometa durante uma ultrapassagem.
No entanto, a versão foi contestada e outras apurações apontam que a colisão com o ônibus teria sido inventada e JK teria sido vítima de um atentado político.
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Há suspeitas de que houve sabotagem mecânica no Opala, um tiro e até o envenenamento do motorista.
A tese do choque com o ônibus foi descartada pelo Ministério Público Federal (MPF) que, entre 2013 e 2019, reabriu o caso e concluiu que a hipótese de atentado não poderia ser descartada uma "vez que não há elementos materiais suficientes para apontar a causa do acidente ou que expliquem a perda do controle do automóvel".
Paulo Sérgio Ferreira Filho, procurador que atuou no caso, apontou "falhas severas nas investigações realizadas pelo Estado brasileiro, incluindo o processo por homicídio culposo contra Josias Oliveira, motorista do ônibus que teria batido no Opala.
Oliveira foi absolvido e em depoimento em 2013 contou que recebeu, cinco dias depois do acidente, uma oferta em dinheiro para assumir a culpa.
Na análise feita em laudos realizados entre 1976 e 1996 pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), do Rio, que embasaram a tese da batida do ônibus no Opala, Ejzenberg rejeita a hipótese da colisão que teria causado o acidente.
Esse documento será usado em uma reunião da CEMDP marcada para esta sexta-feira (14), quando os sete integrantes devem aprovar a reabertura da investigação sobre o caso, segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo.
A análise foi resgatada por Nilmário Miranda, chefe da Assessoria Especial de Defesa da Democracia, Memória e Verdade do Ministério dos Direitos Humanos, e endossada pela procuradora Eugênia Gonzaga e o colegiado do CEMDP.
A reabertura do caso deve retomar pontos não esclarecidos do acidente que causou a morte de JK, entre eles a tese de "sabotagem mecânica" do Opala, que foi "totalmente desmantelado" pela Ditadura, o que impediu o trabalho da perícia.
À época, a Ditadura também não realizou o exame toxicológico no motorista do carro, que pode ter sido envenenado. Segundo o motorista da carreta que atingiu o Opala, Ribeiro parecia desfalecido antes mesmo da colisão.
Na exumação do corpo, em 1996, o perito Alberto Carlos de Minas disse ter visto um buraco semelhante ao de um tiro na cabeça de Ribeiro, que conduzia o carro. Uma peça de metal, semelhante a uma bala, foi encontrada dentro do caixão.