O presidente da Câmara Arthur Lira discursou durante a 1ª Reunião de Mulheres Parlamentares do G20, em Maceió, evento que reúne deputadas e senadores dos países que compõem o G20 — as 20 nações com as maiores economias do mundo.
Em seu discurso, Lira nem parecia o homem que botou para votar em caráter de urgência o tenebroso PL do Estupro ou do Estuprador, que entre outras coisas equipara uma mulher que cometesse aborto a uma assassina, mesmo dentro das restrições impostas em lei, condenando-a a uma pena de até 20 anos de prisão.
Na Reunião do G20, Arthur Lira parecia o primeiro dos feministas:
"Somente quando todas as mulheres tiverem voz, autonomia, segurança e oportunidade de alcançar seu pleno potencial é que teremos o mundo justo e harmônico que tanto desejamos."
Mas, como as mulheres podem ter voz, segundo as palavras do deputado, se ele mesmo censura a ex-mulher, Jullyene Lins, que o acusa de agressão, ofensas e estupro?
No Brasil, Uma mulher grita para ser ouvida, mas ninguém a escuta. O nome dela é Jullyene Lins. Ela já se declarou disposta a comparecer ao Congresso para apresentar todas as provas que diz ter contra Artur Lira, provas que desmentiriam categoricamente as afirmações do Lira "feminista". E mais, mostrariam propriedades de fazendas sonegadas à Receita e ao TSE — o que levaria à cassação do mandato do deputado.
Ele a teria inclusive ameaçado de morte, motivo que, segundo ela, a teria levado a desdizer-se diante do STF, o que acabou levando à absolvição de Lira naquele tribunal.
Mas ela diz que só agiu assim porque tinha filhos pequenos na época. Agora todos são maiores e ela está disposta a botar seu passado a limpo, contando o que diz ser a verdade sobre seu relacionamento com Arthur Lira, inclusive a ameaça de morte e a acusação do estupro, que não foram a julgamento no STF e que Jullyene Lins só denunciou no ano passado em uma reportagem da Agência Pública, que está censurada desde setembro de 2023.
Ou será que não vale para Jullyene Lins a declaração de Lira de que "Somente quando todas as mulheres tiverem voz, autonomia, segurança e oportunidade de alcançar seu pleno potencial é que teremos o mundo justo e harmônico que tanto desejamos"?
Jullyene Lins tem o direito de falar e o Brasil o direito de ouvir o que ela tem dizer.