O deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) subiu na tribuna da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (6) para defender o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), diante das críticas feitas pelo decano da corte, Marco Aurélio Mello, em razão da decisão de liberar cultos em meio à pandemia. O parlamentar é alvo do STF no inquérito que investiga atos anti-democráticos.
Ao defender a reabertura dos templos, o deputado, que também é pastor, afirmou que a igreja não quer permanecer aberta por causa das doações e que o dízimo agora é virtual. "Nosso dízimos e ofertas não precisam ser mais presenciais. Agora quem oferta pode ofertas, quem devolve o dízimo pode também devolver", alegou.
Otoni afirmou que o comentário de Marco Aurélio foi jocoso e deselegante. O ministro se referiu a Nunes Marques como “novato” e disse que ele “está assanhado, está se sentindo”.
A liberação determinada de forma monocrática pelo “novato” passará ainda por uma análise do plenário do STF após divergência do ministro Gilmar Mendes, que analisou uma outra ação e proibiu a realização das cerimônias coletivas. O julgamento da questão deve acontecer nesta quarta-feira (7).
Em seu discurso, o parlamentar bolsonarista fez insinuações contra o Marco Aurélio, lembrando da soltura de André do Rap, um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Na decisão, o ministro levou em conta que as prisões preventivas devem ser revisadas a cada 90 dias “sob pena de tornar a prisão ilegal”.