OPINIÃO

Querem cassar a combatividade! – Por Chico Alencar

Glauber Braga fica!

Créditos: Mario Agra / Câmara dos Deputados
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O Conselho de Ética da Câmara Federal (Coética) voltou a se reunir para decidir sobre a representação por quebra do decoro parlamentar, apresentada pelo Partido Novo, contra o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). 

O processo rola há quase um ano. Na sessão desta quarta-feira, 2 de abril, Paulo Magalhães (PSD-BA), relator do caso, apresentou seu voto. Pediu a cassação do mandato do nosso colega de bancada.

O motivo não era corrupção, nem desvio de emendas parlamentares, ameaça armada ou crime de morte, acusações graves. Vale lembrar que por esse último motivo, aliás, Chiquinho Brazão, que está preso acusado de ser um dos mandantes da execução de Marielle Franco e Anderson Gomes, teve a cassação recomendada pelo Conselho, em sessão de agosto de 2024. Foram 15 votos a favor contra 1 abstenção.  Quem se absteve? O deputado baiano Paulo Magalhães.

O jornalista Bernardo Mello Franco resgatou hoje, em seu blog, uma história em que o mesmo deputado se vê envolvido em uma situação similar à que ele julgou agora.

Em seu voto pela cassação de Glauber, Magalhães diz que "exige-se do congressista a adoção de conduta irretocável, uma vez que o interesse público não aceita deslizes na sua atuação" (página 10, §7).

Parece que ele se esqueceu que precisou ser contido após dar um soco e trocar pontapés com um jornalista e escritor na Câmara Federal. O ano era 2001, e o escritor Maneca Muniz estava em Brasília para lançar um livro com denúncias contra o tio de Paulo, o então senador Antonio Carlos Magalhães (1927-2007).

Se o parlamentar, à época com 49 anos, perdeu as estribeiras para “defender” o tio de acusações sérias feitas por um jornalista, qual seria sua atitude se um provocador tivesse xingado sua mãe gravemente enferma, que veio a falecer um mês depois?

O ato indecoroso foi capa de “O Globo” e recebeu destaque na mídia, mas nada aconteceu a Paulo, que ainda é deputado, exercendo o sétimo mandato consecutivo.

A régua com que se mede deve ser diferente daquela com a qual somos medidos?

Como membro titular do Coética, pedi vistas, óbvio. Quando a matéria voltar a ser examinada no Conselho, na próxima semana, vamos mostrar o absurdo desse parecer esdrúxulo. O que atinge a ética e o decoro é esse documento!

Até lá, reforcemos o clamor: GLAUBER FICA!

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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