A nomeação da deputada federal e presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR), para a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República pegou de surpresa deputados governistas. Nos bastidores, parlamentares aliados afirmavam que sua ida para a Secretaria-Geral da Presidência era tratada como certa, tornando a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um movimento inesperado na recomposição do governo.
Embora a escolha tenha gerado desconforto em alguns setores, a nomeação de Gleisi reforça seu papel estratégico na articulação política do governo. A deputada foi uma das principais responsáveis pela costura dos acordos e alianças que permitiram a formação da frente ampla nas eleições de 2022, fundamental para a vitória de Lula contra o extremista de direita Jair Bolsonaro. Sua capacidade de trânsito entre diferentes setores do espectro político é vista como um diferencial que pode fortalecer ainda mais o diálogo do governo com o Congresso Nacional.
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A mudança ocorre em meio a ajustes internos na Esplanada dos Ministérios. Alexandre Padilha, que ocupava a Secretaria de Relações Institucionais, foi indicado para o Ministério da Saúde, abrindo caminho para a entrada de Gleisi.
A posse da nova ministra está marcada para o dia 10 de março, e sua chegada ao cargo deve redefinir a condução da articulação política do governo junto ao Congresso Nacional, especialmente em um momento no qual o governo busca consolidar sua base parlamentar para avançar com pautas prioritárias, como a reforma tributária e a regulamentação de setores estratégicos da economia.
Aliados ressaltam que, apesar da surpresa inicial, Gleisi tem experiência e trânsito suficiente para lidar com as negociações políticas e garantir a estabilidade à base governista. Durante sua trajetória política, ela acumulou experiência no Congresso e no comando do PT, sendo uma das principais figuras da oposição ao governo Bolsonaro. Com essa bagagem, deve enfrentar desafios significativos, incluindo a necessidade de conter eventuais desgastes na relação do governo com partidos do centrão e com setores mais conservadores do Congresso.
A estratégia de Gleisi também passará por um reposicionamento da articulação entre o Executivo e as lideranças regionais, buscando manter apoio entre governadores e prefeitos. A expectativa é que sua nomeação resulte em um reforço na coordenação política do governo, sobretudo em um período de intensificação dos embates no Congresso. A próxima etapa será estabelecer um diálogo produtivo e buscar avanços que garantam a estabilidade do governo nos próximos anos.