A Casa Branca cunhou a frase "Dia da Libertação" para a quarta-feira, 2 de abril. Já a oposição democrata vê na data o início de fiasco equivalente ao do ex-presidente George W. Bush.
No dia primeiro de maio de 2003, Bush fez um discurso de "Missão Cumprida" sobre o Iraque para em seguida enfrentar uma rebelião popular que matou centenas de soldados estadunidenses no país ocupado.
Agora, a guerra é comercial. Na quarta-feira, Donald Trump formalizará uma onda sem precedentes de tarifas contra todo o planeta, que vão afetar o Brasil.
O pacote de medidas inclui retaliação contra todas as taxas colocadas por outros países contra produtos estadunidenses.
Depois de idas e vindas difíceis de acompanhar, hoje já estão em vigor: tarifa de 25% sobre automóveis e peças importadas; tarifas de 20% sobre todas as importações vindas da China; tarifas de 25% sobre produtos do Canadá e México, com exceções; tarifa de 25% sobre aço e alumínio importados.
Trump diz que isso engordará os cofres do Tesouro e obrigará empresas a mudar suas plantas para os Estados Unidos.
A oposição prevê disparada da inflação e turbulência nos mercados. Boa parte da classe média estadunidense tem sua futura aposentadoria baseada em cestas de ações.
"Punição" a parceiros da Venezuela
Na quarta-feira, Trump também deve anunciar tarifas de retaliação contra países que compram petróleo da Venezuela, além de medidas para taxar produtos farmacêuticos e microchips produzidos fora dos Estados Unidos.
Não por acaso, o preço do ouro disparou e as bolsas de valores entraram em parafuso nas últimas semanas.
O presidente dos EUA voltou tantas vezes atrás em suas ameaças que o mercado financeiro está tomado pela incerteza.
Nesta segunda-feira, no Japão, o índice Nikkei fechou em queda de 4%. Pode ser o início de mais uma semana turbulenta.
"Os mercados dos EUA tiveram performance pior do que a esperada desde a posse de Donald Trump", resumiu a agência Reuters, ao apresentar um gráfico com indicadores do último ano: a Tesla de Elon Musk perdeu 32%, as chamadas Sete Magníficas (Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta, Nvidia e Tesla) perderam 12% e o Bitcoin perdeu 6,6%, enquanto quem investiu em ouro ganhou 16%, ficando atrás apenas de quem investiu em empresas europeias de defesa (38%).
Curiosamente, as perdas recaem sobre muitos dos eleitores do próprio Donald Trump.
*Este é um texto jornalístico no qual as pessoas não devem se basear para fazer seus investimentos, dado o caráter de cassino dos mercados.