A volta do bilionário Donald J. Trump à presidência dos Estados Unidos soou como alerta para a comunidade científica e desencadeou uma corrida contra o tempo. Desde então, ativistas voluntários têm se mobilizado para copiar e proteger bancos de dados governamentais que contêm informações científicas sobre crise climática, meio ambiente, energia e saúde pública, temendo que esses registros sejam apagados para sempre.
Retirar os EUA do Acordo de Paris não era a pior parte até então já esperada, mas sim excluir e esconder conteúdos sobre crise climática e estudos científicos importantes de sites oficiais do governo, que afeta até mesmo pesquisadores brasileiros. O apagamento sistemático tem ocorrido desde a volta de Trump à Casa Branca, em 20 de janeiro de 2025.
Os voluntários que lutam para garantir o acesso às informações fazem parte do projeto Public Environmental Data Partners, uma coalizão de organizações sem fins lucrativos especializada em acesso público. Muito antes das medidas autoritárias do republicano, os cientistas, ONGs, cooperativas e ativistas têm se mobilizado para preservar os dados.
Desativados ou apagados dos portais
Pesquisadores, defensores do meio ambiente e representantes do setor agrícola denunciam a restrição ao acesso a dados cruciais sobre o clima, ecossistemas, produção de energia e saúde pública, que antes estavam disponíveis ao público. Embora muitas dessas informações ainda estejam armazenadas nos sistemas governamentais, os mecanismos que possibilitavam sua consulta e download foram desativados ou simplesmente apagados dos portais oficiais.
Entre as dezenas de decretos assinados por Trump ao reassumir a presidência, o agora 47º líder dos EUA determinou mudanças na linguagem de programação e alterações nos sistemas de acesso a informações governamentais. Relatórios e documentos que sua gestão considera sensíveis estão entre os alvos dessas medidas.
“Não deveríamos estar nesta posição em que o governo Trump pode literalmente derrubar todos os sites do governo se quiser”, declarou Gretchen Gehrke, cientista ambiental co-fundadora da Environmental Data and Governance Initiative.
“Não estamos preparados para ter informações públicas resilientes na era digital e precisamos estar”, acrescentou ao jornal norte-americano The New York Times.
Os ativistas já recuperaram mais de 100 bancos de dados que haviam sido ocultados pela gestão Trump. A expectativa é que o total de informações preservadas supere 300 conjuntos de informações. O surgimento da própria organização foi em 2017 com a missão de preservar dados federais que já haviam sido removidos da internet no primeiro mandato de Donald Trump.
“É claramente uma campanha do governo para remover o acesso público”, disse Jessie Mahr, diretora de tecnologia do Environmental Policy Innovation Center, parceiro do projeto. “E no final do dia, os contribuintes americanos pagaram por essas ferramentas.”
Resgate de dados governamentais
Embora a divulgação dos estudos e monitoramentos conduzidos por agências estatais seja uma obrigação imposta pelo Congresso dos Estados Unidos, não há exigência legal para que as plataformas digitais que facilitam o acesso e o download dessas informações sejam mantidas ativas. Recentemente, o projeto reconstruiu a versão 2.3 da ferramenta EJScreen da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), após sua remoção do site oficial.
A EJScreen é uma ferramenta de triagem e mapeamento de justiça ambiental que utiliza dados nacionais consistentes para identificar áreas que podem ter maiores impactos ambientais e populações vulneráveis.
*Com informações do Laboratório do Clima