AMÉRICA DO NORTE

Canadá e EUA enfrentam sua pior crise com Trump

Trump diz que Canadá “é dos países mais nojentos de lidar" e é o centro da crise entre os vizinhos

O ex-primeiro-ministro canadense Justin Trudeau e o presidente dos EUA Donald Trump.Créditos: Wikimedia Commons
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Com a reeleição de Donald Trump e o fim da era Justin Trudeau (2015-2025), as relações entre Canadá e EUA atingiram um ponto crítico. Assim como outros aliados históricos dos EUA, os canadenses têm sido alvos diários da agressividade de Washington.

Após quase uma década como primeiro-ministro, Justin Trudeau enfrentou diversos confrontos com um Trump reeleito e mais hostil. O presidente estadunidense chegou a chamar Trudeau de "governador" e declarou publicamente seu desejo de anexar o Canadá como o 51º estado dos EUA. Além da retórica, Trump impôs tarifas comerciais que impactaram diretamente a economia canadense.

Com sua popularidade em declínio, Trudeau apresentou sua renúncia e foi substituído por Mark Carney, também do Partido Liberal, em uma tentativa da legenda de manter o poder e capitalizar a mudança política provocada por Trump.

Uma semana após assumir o cargo, nomear seus ministros e visitar a França e a Inglaterra, onde se reuniu com o presidente Emmanuel Macron, o primeiro-ministro Keir Starmer e o rei Charles III, Carney retornou ao Canadá já em campanha eleitoral. A eleição foi chamada para o próximo dia 28 de abril.

Pesquisas da CBC mostram os liberais com uma leve vantagem. A base eleitoral mais ampla dos liberais pode garantir mais assentos, enquanto os conservadores concentram apoio em Alberta e Saskatchewan. Projeções indicam 176 deputados para os liberais e 133 para os conservadores.

Em entrevista ao programa “A Visão de Laura Ingraham”, da Fox News, Trump criticou duramente o Canadá, chamando-o de "um dos países mais nojentos de lidar" e reiterando que "deveria ser o 51º estado" estadunidense.

Ele acusou os EUA de subsidiar o Canadá em US$ 200 bilhões anuais e afirmou que os canadenses são "desonestos" nas relações comerciais, destacando um déficit que superaria US$ 60 bilhões. Trump também criticou o líder conservador Pierre Poilievre, chamando-o de "não amigo", e acusou o Canadá de poupar investimentos em defesa e depender dos EUA na OTAN.

Mark Carney, economista com passagem pelo Goldman Sachs e ex-chefe do Banco do Canadá (2008-2013) e do Banco da Inglaterra (2013-2020) — primeiro não britânico a dirigir a instituição, atuando no crítico período do Brexit —, é visto como a melhor opção para estabilizar a economia e promover a transição energética.

Apesar de sua falta de experiência eleitoral, Carney tem encontrado uma onda favorável diante da situação que combina a renúncia de Trudeau e os ataques de Trump. Voz influente em questões climáticas e financeiras, tendo sido indicado pela ONU para fazer essa “ponte” entre as questões financeiras e ecológicas, o liberal tem uma tendência eleitoral favorável, mas dificilmente conseguirá formar um governo majoritário.

O terceiro partido político canadense, o Novo Partido Democrático (NDP), liderado por Jagmeet Singh, o primeiro líder de um partido federal canadense de minoria visível (sikh), pode ser decisivo na formação do próximo governo. O NDP, de orientação social-democrata, tem proximidade com o movimento sindical e defende justiça social, igualdade e bem-estar público.

Segundo a última pesquisa Ipsos (18 de março), os liberais estão em trajetória ascendente, com 42%, enquanto os conservadores estagnaram em 36% e o NDP caiu para 10%. O NDP, que já teve 103 deputados em 2011, enfrenta desafios para recuperar sua relevância e vem perdendo espaço para setores progressistas do Partido Liberal.

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