BEBIDAS ALCOÓLICAS

Bebidas alcoólicas estão presentes no Brasil há pelo menos 2 mil anos, diz estudo

Há cerca de dois mil anos, comunidades originárias no sul do Brasil fermentavam e consumiam bebidas alcoólicas

Vasos de olaria.Créditos: U. Penn. Museum
Escrito en CULTURA el

Um estudo publicado no periódico PlOS One, conduzido por pesquisadores da Universidade de Pelotas em conjunto ao Centro de Pesquisa Ambiental da Universidade de York, no Reino Unido, descreve descobertas de recipientes de olaria em regiões dos Pampas, no sul do Brasil, no Uruguai e da Argentina, que podem estar associados à produção de bebidas alcóolicas entre 2750 a.C. - 1750 d.C. 

Os recipientes da América do Sul foram encontrados em espaços com reminiscentes arquitetônicos de grupos indígenas pré-coloniais construídos ali por volta de 4700 a.C., conta a pesquisa. 

Os achados foram feitos, no caso do Brasil, na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, dentro dos "Cerritos de Indios", elevações feitas com terra escura e rica em sedimentos pelos povos originários da região. Ali, dentro de aglomerados de formato circular ou elíptico, com até 60 m de diâmetro e até 7 metros de altura, havia registros arqueológicos diversos, como restos de olaria, plantas, ossos e dentes humanos.

Localização dos cerritos em mapa da América do Sul. Em vermelho, o local estudado pela pesquisa. Créditos: Admiraal et al.

Os recipientes encontrados eram usados para cozinhar peixes e produtos vegetais, indicaram os estudos de caracterização molecular; e os pesquisadores acreditam que esses grupos pré-coloniais habitavam os montes ao sul do Brasil de maneira sazonal, durante a temporada de peixes migratórios na região.

Além disso, a análise de lipídios derivados de micróbios presentes nos recipientes associou a fermentação de plantas à produção de bebidas alcoólicas, o que indica que os povos dessa região tinham a prática de consumir fermentados. 

"Há ampla evidência histórica da fermentação por grupos indígenas das terras baixas da América do Sul", contam os pesquisadores. Materiais como seiva de palmeiras, buriti e acuri eram usados na fermentação dos Guató, do Pantanal, e dos Coroados, no sul do Brasil. 

Já os grupos indígenas Guarani usavam uma espécie de palmeira chamada Pindó.

De forma geral, as bebidas fermentadas podiam ter funções ritualísticas importantes, e "foram essenciais para forjar relações políticas entre os grupos, permitindo-lhes mobilizar, controlar e espalhar a mão de obra", prossegue o estudo.

As bebidas alcoólicas também costumavam ser servidas em banquetes durante os períodos de reunião sazonal nos cerritos.

"A presença de milho nas cerâmicas dos cerritos, potencialmente usado para a produção de bebidas fermentadas, pode implicar que foram trazidas ao local especificamente para rituais e banquetes". 

Essas elevações de terra podiam funcionar tanto para fugir das inundações que eram frequentes naquela região como para dar lugar a banquetes ritualísticos, em que estavam presentes as bebidas fermentadas.

 

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