O universo da música está de luto. Morreu, nesta sexta-feira (27), o instrumentista e cantor Roberto Biela. Ele estava hospitalizado em São Paulo.
De talento inquestionável, como intérprete, na bateria e percussão, além do piano, Biela optou por fazer carreira como músico da noite, espalhando canções por inúmeros bares da vida.
Te podría interesar
Iniciou sua carreira musical em Santos, mas conheceu alguns países se apresentando em casas noturnas, mostrando a beleza da MPB no Japão e na Espanha.
Nos últimos anos, se radicou em São Paulo, onde tocava em diversas bares, ou desfilando repertório de Chico Buarque ou abusando de sua versatilidade, interpretando Milton Nascimento, Alceu Valença, Caetano Veloso entre outros, sempre com sua voz aguda de tenor.
Ainda em Santos, Biela, ao lado do amigo, jornalista e também músico Julinho Bittencourt e de Alfredo de Rosato, foi um dos fundadores do Bar Torto, que funcionou por mais de três décadas e, ainda hoje, apesar de fechado, é a principal referência de música de qualidade na cidade. À época, formou-se o trio “Jornal do Brasil”, com Julinho, Biela e Luiz Cláudio de Santos.
Irmão
“Estou atônito. Conheço e toco com ele desde os 18 anos. Não conheço a vida de adulto sem ele. Vida de músico profissional, de amigo. Por outro lado, a cidade e o Brasil perdem um grande músico, um cara supertalentoso, generoso, que foi ensinando a todos que passavam em volta dele a tocar. Um excelente cantor. Enfim, um ótimo profissional”, destacou Julinho Bittencourt.
“Eu sempre insistia com ele para gravar discos cantando. Ele nunca fez. Optou por tocar na noite, em bares, e encantou o público. Várias vezes que eu o assisti, sentia muito orgulho de ver ele cercado de garotos. Um irmão. Uma perda enorme”, acrescentou Julinho.
Generosidade
O editor da Fórum, Renato Rovai, também lamentou a morte do músico. “O Biela foi muito importante no passado recente da Fórum. Junto com o Julinho Bittencourt, eles inauguraram a Casa Fórum, com um show de música”, lembrou.
“A Casa Fórum ainda não tinha equipamento de som, não tinha instrumentos e ele foi tocar, levou o cajón e as coisas dele. E acabou dando de presente o cajón para a Casa Fórum”, destacou Rovai.
“Esse cajón ficou o tempo todo na Casa Fórum e, hoje, está comigo em casa, um instrumento que o acompanhou por boa parte da sua vida musical. Então, mesmo com essa despedida, um pouco do Biela sempre estará entre nós. E esse cajón é um dos gestos bonitos que ele fez na vida e que eu vou guardar com muito carinho”, completou.
Faltou tempo
Neste momento, também queria dizer algo sobre Roberto Biela. Nossa amizade tinha 42 anos, se não me engano. Enquanto ele esteve em Santos, o acompanhei em todos os bares em que se apresentou.
Durante alguns anos dessas mais de quatro décadas, convivemos quase diariamente e fui testemunha de tudo que Julinho e Rovai disseram sobre ele.
Nas últimas vezes que nos encontramos, eu sempre o perturbava pedindo para ele “tirar” no piano a canção “Minha Casa”, de sua autoria, em parceria com Alfredo González. Eu adoro e perguntava: ‘Tirou Minha Casa?’. Ele dizia: “Rapaz, acredita que não? Nas próximas toco sem falta”. Pena que acabou não dando tempo. Mas eu lembro dela quase inteira. Não consigo esquecer, da mesma forma que não esquecerei esse grande amigo que partiu.
Siga o perfil da Revista Fórum e do jornalista Lucas Vasques no Bluesky.