DIREITOS TRABALHISTAS

Breque dos apps: entregadores entram em greve por melhores condições de trabalho

Greve nacional histórica de dois dias convocada pela categoria denuncia práticas antissindicais das plataformas em mais de 50 cidades

Entregadores de apps entram em greve por melhores condições de trabalho em 50 cidades.Créditos: Roberto Parizotti/Fotos Pu´blicas
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Por melhores direitos e remuneração, entregadores de aplicativo de diversas regiões do país realizam paralisações hoje e amanhã, de serviços de delivery de gigantes como iFood, Uber Flash e 99 Entrega. A manifestação acontece após a tentativa frustada de regulamentação pelo governo dos direitos dos entregadores e motoristas de aplicativos.

Em maio de 2023, o Ministério do Trabalho e Emprego formou uma comissão para trabalhar em um acordo, mas seis meses após o início das negociações, sem consenso, as discussões foram encerradas. "A mobilização reivindica melhores condições de trabalho e reajuste nas tarifas pagas pelas plataformas", explicam os entregadores em nota enviada à imprensa. "Será o maior breque da história", afrma o membro da Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativos (Anea) e dirigente na associação de Juiz de Fora (MG), Nicolas Souza Santos.

Na paralisação, estão previstas manifestações, motociatas, carreatas e pedaladas em diversas cidades. Os organizadores também denunciam práticas antissindicais das plataformas, como o oferecimento de bônus para quem continuar operando e ameaças de bloqueio a grevistas. Veja as reivindicações:

  • Aumento da taxa mínima para R$ 10,00;
  • Reajuste do valor por quilômetro rodado para R$ 2,50;
  • Limitação das rotas de bicicleta a um máximo de 3 km;
  • Pagamento integral da taxa por entrega, sem redução em pedidos agrupados por empresas como iFood.

Protestos vão acontecer hoje em pelo menos 19 capitais do Brasil. As cidades incluem São Paulo, Maceió, Manaus, Belém, Salvador, Fortaleza, Goiânia, Distrito Federal, Belo Horizonte, João Pessoa, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Florianópolis, Curitiba, Porto Velho, Cuiabá e São Luís.

Em resposta aos organizadores do breque, o iFood enviou um e-mail dizendo que, ao longo dos últimos três anos, elevou os valores do quilômetro rodado e da taxa mínima paga aos entregadores, passando de R$ 5,31 em 2022 para R$ 6,50 em 2023, e que “continua ouvindo a categoria e trabalhando para melhorar a remuneração e as condições de trabalho dos profissionais de delivery.”

Os organizadores apontam em um abaixo-assinado que há três anos as plataformas não reajustam os ganhos dos trabalhadores e tornam o trabalho cada vez mais precarizado: “Tudo aumentou, comida, água, luz, gasolina, manutenção da moto/bike, roupas, utensílios domésticos e por aí vai… Mas somente nossos serviços não aumentaram, inviabilizando a nossa sobrevivência!”.

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