"Pensei que ele ia ajudar", diz mãe de jovem assassinado por segurança

A esteticista Dinalva Oliveira afirmou que ela e outras pessoas se sentiram intimidadas pelos seguranças. "Se eu agarrasse ele, o outro segurança estava com a arma me olhando. Fiquei intimidada, assim como todos ficaram", relatou.

Segurança que matou jovem estrangulado no Extra, Davi Amâncio  (Reprodução)
Segurança que matou jovem estrangulado no Extra, Davi Amâncio (Reprodução)
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A esteticista Dinalva Oliveira, mãe de Pedro Henrique, 19 anos, o jovem que foi sufocado até a morte por Davi Amâncio, segurança de um supermercado no Rio de Janeiro, disse em entrevista ao Fantástico que no início ficou "tranquila" quando o filho se afastou correndo dela e se aproximou de Davi. Dinalva relatou que ela e o filho foram ao supermercado comprar um microondas."Quando eu estava pegando a nota fiscal, ele correu em direção ao segurança e eu fui atrás. A impressão que deu é que ele queria pedir ajuda. Eu fiquei até mais tranquila, o segurança vai me ajudar. Se meu filho estiver tendo um surto a ambulância vai chegar e vai acudir meu filho", relatou ela. Pedro Henrique já havia sido usuário de drogas. Dinalva explicou que nos últimos dias o jovem andava agitado e, preocupada, ela marcou uma consulta em uma clínica de tratamento de saúde mental e para dependentes químicos na região serrana do Rio. Depois do supermercado, os dois viajariam para lá. No entanto, ao contrário da expectativa da esteticista, o filho não recebeu ajuda. "Quando jogou no chão e caiu em cima dele, eu fui tentar olhar e tirar. O segurança me deu um solavanco. Quando voltei, vi meu filho totalmente ... ele estava contido. As mãos dele estavam ficando sem movimento, os braços sem movimento. Ele pegou o braço e começou a ir contra o pescoço do meu filho. Eu falei 'moço, por favor não machuque ele, ele é meu filho'. Ele falava ‘cala a boca’", relatou Dinalva. A esteticista afirmou, ainda, que ela e outras pessoas se sentiram intimidadas pelos seguranças. "Se eu agarrasse ele, o outro segurança estava com a arma me olhando. Fiquei intimidada, assim como todos ficaram, porque eu tenho certeza que a vontade das pessoas que estavam ali também era salvar  meu filho", afirmou. Após o segurança finalmente sair de cima de Pedro Henrique, Dinalva checou os batimentos cardíacos dele. "Eu fui a primeira a ter um pingo de esperança e colocar a mão onde pudesse sentir algum batimento. Ele perdeu o olhar naquele momento", contou a mãe, emocionando-se. As câmeras do circuito interno mostram que nem Davi, nem os outros seguranças prestaram socorro ao jovem. Dinalva afirma que questionou o segurança sobre o que fizera com Pedro. "Quando eu olhei para ele, falei 'por que você matou meu filho?' e ele ficava olhando para mim como se tivesse razão", disse. Davi Amâncio já tinha sido condenado por agressão à ex-companheira e não poderia ser segurança. Ele teve o registro cassado e está respondendo em liberdade por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
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