BEM-ESTAR

Estudo de Harvard: dieta mediterrânea pode ser aliada contra o Alzheimer

Pesquisa mostra que portadores da variante APOE4 reduzem risco de demência e têm declínio cognitivo mais lento ao adotar dieta mediterrânea rica em frutas, grãos, azeite e peixes

Créditos: Ana Shvets
Escrito en SAÚDE el

Um novo estudo liderado por pesquisadores do Mass General Brigham, da Escola de Saúde Pública Harvard TH Chan e do Instituto Broad do MIT e Harvard, indica que a dieta mediterrânea pode reduzir o risco de demência, especialmente em pessoas com maior predisposição genética para a doença de Alzheimer. A pesquisa, publicada na revista Nature Medicine, analisou dados de mais de 5 mil participantes ao longo de três décadas.

Os resultados mostram que indivíduos portadores da variante genética APOE4, associada ao risco mais elevado de Alzheimer, tiveram maior benefício ao seguir o padrão alimentar mediterrâneo, caracterizado por alto consumo de frutas, vegetais, grãos integrais, azeite de oliva e peixes. Nessas pessoas, o risco de demência foi significativamente reduzido e o declínio cognitivo, mais lento.

"Essas descobertas sugerem que estratégias alimentares, especificamente a dieta mediterrânea, podem ajudar a reduzir o risco de declínio cognitivo e prevenir a demência, influenciando amplamente as principais vias metabólicas", disse a pesquisadora Yuxi Liu, autora principal do estudo, ao site do Mass General Brigham. "Essa recomendação se aplica amplamente, mas pode ser ainda mais importante para indivíduos com maior risco genético, como aqueles portadores de duas cópias da variante genética APOE4."

Como foi realizado o estudo

A análise incluiu 4.215 mulheres no Estudo de Saúde de Enfermeiras, acompanhadas de 1989 a 2023, com idade média inicial de 57 anos, e 1.490 homens no Estudo de Acompanhamento de Profissionais de Saúde, acompanhados de 1993 a 2023, com idade média inicial de 63 anos. Os participantes preencheram questionários de frequência alimentar, forneceram amostras de sangue para caracterização genética e metabólica e foram monitorados quanto à incidência de demência e declínio cognitivo.

Os participantes que seguiram uma dieta mediterrânea tiveram menor risco de demência e declínio cognitivo mais lento, conforme os resultados, com um efeito protetor mais forte em indivíduos com duas cópias da variante do gene APOE4, o maior grupo de risco genético para Alzheimer.

Pessoas portadoras de uma cópia da variante APOE4 têm um risco de 3 a 4 vezes maior de desenvolver Alzheimer, enquanto as que possuem duas cópias da variante APOE4  têm um risco 12 vezes maior de desenvolver Alzheimer do que aquelas sem a variante.

Conforme a pesquisa, a dieta mediterrânea influenciou os metabólitos sanguíneos ligados à saúde cognitiva, sugerindo um mecanismo biológico por trás dos benefícios propiciados.

Componente hereditário do Alzheimer

Nas últimas décadas, pesquisadores aprenderam mais sobre a base genética e metabólica da doença de Alzheimer e demências relacionadas. Estas estão entre as causas mais comuns de declínio cognitivo em idosos e o Alzheimer é conhecido por ter um forte componente genético, com hereditariedade estimada em até 80%.

Apesar dos achados do estudo, os autores destacam limitações: a amostra era composta majoritariamente por indivíduos de origem europeia e alto nível educacional. Além disso, informações genéticas como a variante APOE ainda não fazem parte da prática clínica de rotina.

Os cientistas defendem novos estudos em populações diversas e exploram a possibilidade de personalizar estratégias de prevenção por meio da dieta e do monitoramento de metabólitos sanguíneos.

Reporte Error
Comunicar erro Encontrou um erro na matéria? Ajude-nos a melhorar