Geralmente, antes de iniciar as oitivas, toda Comissão Parlamentar de Inquérito, seja ela mista ou não, vota requerimentos que versam sobre convocações e atividades, e na CPMI do INSS não é diferente.
Antes de iniciar a oitiva desta quinta-feira (4), que recebeu a diretora de Auditoria da Previdência e Benefícios da Controladoria-Geral da União (CGU), Eliane Vegas, iniciou-se a votação dos requerimentos, que tinha tudo para ser apenas burocrática, não fosse um erro grotesco notado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que chamou a atenção da mesa diretora.
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"O requerimento de número 15, a ementa que consta aqui não é a mesma coisa que está no texto do requerimento. Estamos votando um requerimento que trata na ementa de uma questão, mas o texto do requerimento é outro. Então, há um problema formal. O que está sendo votado: é a ementa ou o texto do requerimento?", questionou Paulo Pimenta.
O erro grotesco na formulação do texto do requerimento virou chacota nas redes. Confira no vídeo abaixo:
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Diretora da CGU confirma na CPMI que Bolsonaro sabia de fraudes no INSS desde 2021
A servidora pública Eliane Viegas, diretora de auditoria de previdência e benefícios da Controladoria-Geral da União (CGU), confirmou na tarde desta quinta-feira (4), durante seu interrogatório na CPMI do INSS, no Congresso, que o governo de Jair Bolsonaro (PL) sabia pelo menos desde 2021 das fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do órgão previdenciário.
O deputado federal bolsonarista Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), relator da CPMI, foi quem fez a pergunta diretamente a Eliane, mas ele não gostou da resposta da funcionária pública e se desesperou, perdendo a linha, dando a nítida impressão de que esperava ouvir outra coisa.
“Eu quero saber se em 2021 foi feita alguma comunicação da CGU para alguma autoridade da República sobre irregularidades de desconto associativo”, começou questionando em tom agressivo e impositivo Gaspar.
Foi então que a servidora da CGU respondeu e, pelo visto, com uma sinceridade maior do que a esperada pelo parlamentar bolsonarista.
“Se nós pegarmos as atas do GTI (Grupo de Trabalho Interministerial) da Previdência, nós temos sim manifestações, e não só da CGU, mas do Ministério Público, da Defensoria Pública da União, e é por isso que eu estou falando especificamente... Eu preciso pegar ano a ano...”, falava Elaine, quando foi interrompida por um interminável “não, não, não, não, não” de Gaspar.
Na sequência, ela continua, “a CGU, sim, tem assento no GTI da Previdência...”, mas outra vez é interrompida com inúmeros “não, não, não, não, não” do relator bolsonarista da CPMI.
Em meio à gritaria de deputados e senadores governistas, que brigavam com a mesa diretora para que a servidora seguisse com a resposta que entrega a conivência do governo Bolsonaro, Gaspar retrucava contraditoriamente dizendo que “ela vai responder à minha pergunta objetiva”, sem, no entanto, deixar Elaine responder.
Veja o vídeo: