O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), que ganhou popularidade ao vender uma imagem de "valente", "destemido" e de "masculinidade viril", foi humilhado em um debate com o jornalista Breno Altman no podcast 3 Irmãos.
Ao mentir sobre fatos ocorridos durante a ditadura militar e sobre a divisão Galizien — entenda mais abaixo — e ser desmascarado por Breno Altman, Bilynskyj simplesmente não aguentou a vergonha e abandonou o debate promovido pelo podcast.
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Como era de se esperar, Paulo Bilynskyj virou chacota nas redes sociais, e o momento em que ele abandona, quase chorando, o 3 Irmãos viralizou nas redes sociais.
E, para tentar desviar o assunto, qual não foi a atitude de Bilynskyj? Disparar transfobia contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) em uma publicação que também incentiva o linchamento da parlamentar.
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Na publicação em suas redes sociais, Bilynskyj contrapõe dois vídeos de Erika Hilton: em um, ela discursa sobre a questão do orgulho negro e está de black power; no outro, Hilton está finalizando um aplique liso e loiro. Com isso, o deputado bolsonarista quer insinuar uma suposta contradição da parlamentar e incentiva o linchamento ao deixar a seguinte legenda: "O comentário é com vocês."
Breno Altman sobre debate com Bilinsky e Rabino: "jogo contra as peças do adversário, não o adversário"
O jornalista e fundador do portal Opera Mundi Breno Altman comentou em entrevista à Fórum os últimos debates que protagonizou, entre eles o que envolveu o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), nesta segunda-feira (29) e, mais recentemente, um Rabino Ventura. Ambos viralizaram nas redes sociais. Segundo ele, participar dessas discussões não é uma questão pessoal, mas uma "missão".
“A motivação num debate desse tipo é uma missão que alguém se coloca ou alguém coloca para nós. Mas nesse caso eu mesmo me coloquei. É a missão de enfrentar um personagem que disse que desmascará-lo. Era uma tarefa, não é?”, afirmou o jornalista. Sobre a participação com o Rabino, acrescentou: “Aí já era um outro objetivo, era desmascarar as ideias do sionismo, não propriamente sionismo”.
Altman destacou que não leva o embate para o lado pessoal. “Talvez porque eu tinha que desde muito garoto aprendi a jogar xadrez, e uma regra básica de xadrez é você joga contra as peças do adversário e não contra o adversário. Então, não tem uma afetação pessoal em relação a isso. Eu acho divertido”.
Ele afirma que prefere encarar os debates como um esporte: “Um debate você tem uma reação imediata ao seu oponente, ao seu contricante. E isso envolve uma quantidade de movimentos cerebrais que você não controla. O debate tem uma certa semelhança com o esporte”.
O episódio com Bilinskyj viralizou mais pela reação do próprio oponente, na sua visão.
“Ele simplesmente jogou a peça para cima, pegou a bola e saiu do jogo. Foi um negócio meio bizarro, né? Eu até fiquei na hora assim, eu aqui me esforçando para debater e o sujeito vai jogar toalha no ringue desse jeito”, completa.
Altman desmascarou Bilynskyj ao vivo
Ontem (29), o deputado não conseguiu sustentar suas afirmações diante do jornalista, que rebateu cada ponto apresentado. O episódio começou quando Altman questionou as falas do deputado sobre a divisão Galizien, uma tropa ucraniana integrada à SS nazista, na qual o avô de Bilynskyj serviu durante a Segunda Guerra Mundial. O parlamentar tentou negar a ligação do grupo com o regime de Hitler. Altman respondeu com dados e disse: “Você mentiu”, sem elevar o tom de voz.
Bilynskyj não apresentou novos argumentos nem refutou com informações. Acusou Altman de “agressão”, agradeceu aos presentes, levantou-se e deixou o estúdio. “Eles vão embora quando são pegos na mentira”, disse o jornalista.
O vídeo circulou como exemplo do estilo de atuação do deputado, que já se envolveu em outras polêmicas. Em 2023, Bilynskyj usou a tribuna da Câmara dos Deputados para exaltar seu avô, Bohdan Bilynskyj, que teria lutado na referida unidade ucraniana ligada à Waffen-SS, braço paramilitar dos nazistas. O parlamentar disse considerar o avô uma “inspiração”. A fala gerou declarações de entidades como o Instituto Brasil-Israel, que afirmou que o deputado estava enaltecendo quem atuou ao lado do regime nazista.
Plano dos EUA Gaza dá limites a Israel, mas é 'colonial'
Também nesta segunda (29), os EUA revelaram a iniciativa para pôr fim ao conflito na Faixa de Gaza, delineando uma visão que levanta questionamentos sobre o destino de um território já exausto por anos de violência e bloqueios.
Apresentado durante uma reunião na Casa Branca entre o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o plano esboça medidas como a formação de um órgão global sob liderança americana, condições para anistia a membros do Hamas dispostos a desarmar-se e, de forma vaga, a perspectiva de um Estado palestino independente.
A proposta surge em meio a um cenário humanitário crítico, onde civis palestinos enfrentam deslocamentos forçados e escassez crônica, destacando a urgência de soluções que priorizem a dignidade humana em vez de imposições unilaterais. Até agora, o que se vê é um genocídio. Para Altman, a Turquia e a pressão norte-americana sobre países árabes desempenharam papel central, em especial os ataques ao Catar. Além disso, ele vê sinais de mudança na própria extrema direita dos EUA:
“O plano tem limites a Israel e Israel já faz uma leitura do plano, anunciando sua concordância integral, mas aquilo que Israel anunciava não está dentro do plano. Isso expressa, na minha opinião, um movimento que começa a existir no interior da extrema direita norte-americana, que é um movimento de limitação do grau de compromisso dos Estados Unidos com Israel. Um setor da direita norte-americana vai se voltando contra Israel. O próprio Steve Bannon é uma expressão disso”.
Altman comparou a estratégia de Donald Trump à de um vendedor de imóveis: “O que que faz um vendedor de imóveis? Ele vende as virtudes do imóvel. Ele não vai te contar que tem problema de encanamento [...] Então, Donald Trump faz política desse jeito, ele vai anunciando o que pode colocar mel na boca das pessoas e vai ocultando ou disfarçando os temas espinhosos”.
“O plano tem como um conjunto de variáveis que não tem, repito, não tem data, não tem etapas, não tem nada. É uma espécie de plano de intenções. Donald Trump recua de propostas mirabolantes, como transformar Gaza num resort norte-americano. É um plano que é real colonial, porque você transfere o controle de Gaza"
Prosseguindo, Altman destacou que o plano reduz pretensões de Netanyahu e mantém Gaza sob controle de uma coalizão internacional liderada pelos EUA, esvaziando o papel da ONU. “As Nações Unidas tinham que fechar a porta e jogar a chave no Rio Hudson lá em Nova York. Para que gastar dinheiro com isso daqui?”, ironizou.