GOLPISMO

PF afirma que Malafaia tem "plano criminoso" para coagir STF e liberar Bolsonaro

O pastor foi apreendido pela Polícia Federal ao desembarcar no Aeroporto do Galeão

PF afirma que Malafaia tem "plano criminoso" para coagir STF e liberar Bolsonaro.Créditos: Reprodução/Redes Sociais
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O pastor Silas Malafaia foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF) ao desembarcar no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, na noite desta quarta-feira (20). O religioso segue apreendido e prestando depoimento à PF.

No relatório da Polícia Federal, Silas Malafaia é apontado como ator consciente de um "plano criminoso para coagir ministros do STF".

"SILAS MALAFAIA, evidenciando sua ciência e aderência ao plano criminoso para coagir os ministros do STF, visando assegurar impunidade ao ex-presidente, relacionada aos fatos sob julgamento na Ação Penal 2.668/DF, escreve o que seriam orientações para o posicionamento de JAIR BOLSONARO (...) tem que pressionar o STF dizendo que se houver uma anistia ampla e total, a tarifa vai ser suspensa. Ainda pode usar o seguinte argumento: NÃO QUEREMOS VER SANÇÕES CONTRA MINISTROS DO STF E SUAS FAMÍLIAS. Eles se cagão (sic) disso!"

Em outro momento, o relatório da PF traz ameaças de Silas Malafaia contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF: "Em um dos trechos do vídeo, SILAS MALAFAIA faz as seguintes ameaças [...] Agora eu vou dar aqui a minha opinião. Para mim, a coisa vai piorar e eu vou dizer em que sentido. E um alerta aos ministros do STF: se vocês continuarem apoiando ALEXANDRE DE MORAES, para mim a próxima retaliação vai ser à pessoa física. Vão atingir ALEXANDRE DE MORAES, alguns ministros do STF, o Diretor da Polícia Federal, o Procurador-Geral e suas famílias, e a coisa vai ser feita demais."

Para a PF, "SILAS MALAFAIA, dentro da unidade de desígnios estabelecida entre os investigados, orienta a conduta a ser seguida por JAIR BOLSONARO com o objetivo de propagar a narrativa criminosa construída: 'Se você gravar um vídeo dessa carta, vai arrebentar! Um instrumento para o povo que apoia divulgar. Povo não divulga carta, mas sim, VÍDEO!'"

Uso de inteligência artificial e estratégia de difusão internacional:
"MALAFAIA revela a estratégia de difusão adotada pelos investigados: 'Faça o vídeo que eu faço a versão em inglês por IA (inteligência artificial), seu filho faz chegar na mão de Trump, tem contato com assessores que falam toda hora com ele. Trump quer ver também uma atitude sua.'"

Instigação ao descumprimento de medidas cautelares: "MALAFAIA, atuando com adesão subjetiva ao intento criminoso, instiga JAIR BOLSONARO a descumprir as medidas cautelares até então vigentes, solicitando de forma expressa que BOLSONARO encaminhe 'na sua lista de transmissão' o vídeo enviado pelo pastor no dia anterior, mantendo a ideia 'VOCÊ É A VOZ!'"

Diante das provas, a investigação da PF conclui, a partir do teor dos diálogos entre Silas Malafaia e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que o líder religioso "atua de forma livre e consciente e em unidade de desígnios com os demais investigados, na articulação e definição de ações e estratégias de coação às autoridades judiciais responsáveis pelo julgamento da AP nº 2668-STF."

A PF conclui dessa maneira a atuação de Malafaia:

  • Articulador das narrativas de coerção contra o STF;
  • Divulgador de ameaças veladas e explícitas contra ministros;
  • Orientador de Jair Bolsonaro na comunicação pública;
  • Facilitador da difusão internacional do conteúdo via IA e contatos na Casa Branca;
  • Cúmplice no descumprimento de medidas judiciais.

 

Malafaia é alvo de busca e apreensão pela PF

 

O pastor Silas Malafaia foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal ao desembarcar no Aeroporto de Galeão, no Rio de Janeiro. O religioso voltava de uma viagem de Portugal.

Neste momento, Malafaia presta depoimento na Polícia Federal. O celular do religioso foi apreendido e ele está proibido de manter contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro e com o deputado Eduardo Bolsonaro.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e ocorre no âmbito do inquérito que investiga as condutas do ex-presidente Jair Bolsonaro, do deputado Eduardo Bolsonaro, de Paulo Figueiredo e do pastor Silas Malafaia em ações que visam instigar o governo dos EUA a intervir em assuntos internos do Brasil. 

Medidas cautelares 

Além da apreensão dos celulares, Malafaia foi alvo de medidas cautelares:

  • O líder religioso está proibido de deixar o país e teve o seu passaporte apreendido;
  • Está proibido de manter contato com outros investigados.

Investigação

Durante a investigação contra Malafaia, a PF obteve diálogos e publicações nas quais o líder religioso "aparece como orientador e auxiliar das ações de coação e obstrução promovidas pelos investigados Eduardo Nantes Bolsonaro e Jair Messias Bolsonaro".

Por sua vez, a Procuradoria-Geral da República, em sua manifestação, afirma que a investigação da PF aponta que "Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro estão associados no propósito comum, bem como nas práticas dele resultantes, de interferir ilicitamente no curso e no desenlace da Ação Penal nº 2668 [tentativa de golpe], em que o ex-presidente figura como réu".

Malafaia é investigado pela PF no mesmo inquérito de Eduardo e Jair Bolsonaro

 

O pastor Silas Malafaia passou a ser investigado pela Polícia Federal no mesmo inquérito que apura a conduta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do comentarista Paulo Figueiredo. 

A PF apura, nessa investigação aberta em maio deste ano, as ações realizadas para instigar o governo dos Estados Unidos a interferir em assuntos internos do Brasil, incluindo a tramitação da ação penal contra o próprio Bolsonaro por envolvimento na trama golpista. 

Entre os possíveis crimes apurados estão coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Malafaia foi o organizador do ato de apoio a Jair Bolsonaro realizado no dia 3 de agosto. No evento, o ex-presidente apareceu por meio de um vídeo transmitido nas redes sociais de terceiros, fato que acabou resultando, no dia seguinte, na decretação da prisão domiciliar do ex-presidente.

Novo ataque de Malafaia

Nesta quinta-feira (14), o pastor voltou a atacar Alexandre de Moraes. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele defendeu que o magistrado “deveria sofrer impeachment, ser julgado e preso”. O discurso repete críticas feitas por Malafaia em outras ocasiões, inclusive em atos bolsonaristas organizados por ele.

Procurado pela reportagem do site G1, o líder religioso negou ter sido notificado sobre a investigação. “Isso que você está falando pra mim é uma novidade incrível", disse. "Por acaso eu tenho algum acesso à autoridade americana? Ou isso é mais uma prova inequívoca de que o Estado democrático brasileiro está sendo jogado na lata do lixo, comandado pelo ditador da toga Alexandre de Moraes, que promove perseguição a qualquer um que fale? Que democracia é essa, gente?”.

A inclusão de Malafaia no inquérito amplia o alcance das apurações, que miram aliados próximos de Bolsonaro. O caso continua sob sigilo, e a Polícia Federal ainda não detalhou os próximos passos da investigação.

Origem do inquérito

O inquérito foi aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) em maio. "Há um manifesto tom intimidatório para os que atuam como agentes públicos, de investigação e de acusação, bem como para os julgadores na Ação Penal, percebendo-se o propósito de providência imprópria contra o que o sr. Eduardo Bolsonaro parece crer ser uma provável condenação", dizia o documento da Procuradoria.

A PGR mencionou ainda a tentativa de interferência no andamento da ação penal que envolve Jair Bolsonaro. "As evidências conduzem à ilação de que a busca por sanções internacionais a membros do Poder Judiciário visa a interferir sobre o andamento regular dos procedimentos de ordem criminal, inclusive ação penal, em curso contra o sr. Jair Bolsonaro e aliados", apontava o documento.

 

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