A presença do deputado de extrema-direita no 30º Fórum Parlamentar sobre Inteligência e Segurança em El Salvador, entre os dias 12 e 14 de novembro, tem gerado desconforto nos círculos bolsonaristas.
O encontro de Nikolas com Ernestro Castro, presidente da Assembleia Legislativa de El Salvador e ex-conselheiro de Nayib Bukele, não passou despercebido. A fotografia tem sido interpretada por círculos bolsonaristas como uma tentativa do deputado mineiro de se antecipar ao movimento político da família, aproveitando o prestígio internacional de Bukele e seu modelo de segurança pública.
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Segundo a coluna de Lauro Jardim em O Globo, Flávio e Eduardo Bolsonaro planejam viajar a El Salvador para se encontrar com o presidente salvadorenho. A visita tem o objetivo de se inserir no debate sobre segurança pública e fortalecer sua imagem política.
A postura linha-dura de El Salvador no combate à criminalidade tem sido um ponto de destaque, especialmente após os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro, como a chacina de Cláudio Castro. A abordagem agressiva de segurança pública de Bukele tem sido considerada como "modelo" para extrema-direita no Brasil, que vê na experiência salvadorenha uma oportunidade de reforçar sua imagem de combatentes do crime.
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“Fogo Amigo”
Uma análise publicada pela Fórum na última terça-feira (11) revelou que Nikolas Ferreira está adotando uma estratégia de “erosão interna” dentro da extrema-direita.
No início de novembro, Eduardo Bolsonaro compartilhou no X uma publicação crítica a Nikolas Ferreira, que mencionava uma suposta "dissidência" dentro do PL. A análise instava a deputada estadual Ana Campagnolo (PL), aliada de Nikolas, a escolher entre apoiar Carlos Bolsonaro ou deixar o partido. A publicação destacava a dificuldade de se distanciar de Bolsonaro sem perder apoio dos eleitores, mas foi rapidamente apagada pelo autor.
Com a prisão do ex-presidente e a crescente desorganização interna no clã bolsonarista, a estratégia de Nikolas seria ocupar o vácuo político deixado por ele.
Em vez de confrontos diretos, no entanto, a movimentação de Nikolas Ferreira aposta em um processo gradual de corrosão da autoridade simbólica de Bolsonaro, reposicionando-se como líder entre jovens ultraconservadores e influenciadores religiosos.