JORNAL DA FÓRUM

PL Antifacção: "pressão popular e institucional funcionou", afirma Minc sobre derrota de Derrite

Em entrevista à Fórum, deputado afirma que projeto de secretário de Segurança de Tarcísio para restringir PF foi tentativa de enfraquecer combate ao crime organizado e reeditar PEC da bandidagem

Carlos Minc.Créditos: Reprodução/Carlos Minc Instagram
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O deputado Carlos Minc (PSB-RJ) afirmou, em entrevista à TV Fórum, que o projeto do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, que restringia a atuação da Polícia Federal (PF) nos estados, representa uma tentativa clara de “atar as mãos da instituição mais reconhecida no país no combate ao crime organizado”. Para Minc, o episódio remete à chamada PEC da bandidagem, proposta anterior que buscava limitar investigações federais sobre autoridades estaduais.

“Queriam que a PF pedisse autorização ao governador para investigar corrupção de um governador. Era como a PEC da bandidagem. A diferença é que agora nem precisou levar o Chico Buarque e o Caetano pra rua, bastou a pressão nas redes e o Supremo se manifestar dizendo que isso era inconstitucional”, afirmou o parlamentar.

Segundo Minc, o recuo de Derrite, após forte reação política e social, foi uma vitória da mobilização popular, da esquerda e do Supremo Tribunal Federal (STF). “Eles tentaram enfraquecer a PF para beneficiar o crime organizado e não conseguiram. Tentaram abrir as portas para o Trump com esse papo de terrorismo e também não conseguiram. A pressão popular e institucional funcionou”, disse.

Minc avaliou que o campo bolsonarista tenta se sustentar no discurso da segurança pública após perder bandeiras como o combate à corrupção e o nacionalismo. “Eles perderam a bandeira da soberania, perderam a bandeira do combate à corrupção, justamente por defenderem a corrupção dos colarinhos brancos na PEC da bandidagem. Agora se agarram à segurança, mas São Paulo e Rio de Janeiro, governados por eles há anos, continuam com índices altíssimos de violência”, criticou.

O deputadoo lembrou ainda que o governo federal enviou recentemente duas propostas consideradas estruturantes: a PEC da Segurança Pública e o PL das Ações Integradas, elaboradas ao longo de seis meses pelo Ministério da Justiça em diálogo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Derrite, segundo ele, tentou “se apropriar de um projeto sério” e o desfigurou em 36 horas.

'Como é que você vai defender segurança atando as mãos da PF?'

Para Minc, o centro da proposta de Derrite era enfraquecer a Polícia Federal, instituição responsável por operações que desmontaram esquemas de lavagem de dinheiro do crime organizado sem uso de violência, como a “Carbono Oculto”.

“Como é que alguém diz que vai combater o crime amarrando a PF, que é quem mais bate no crime organizado com inteligência e sem matar ninguém? É uma contradição total. Nenhum conservador sério acredita nisso”, afirmou. "Eles estão agarrados em Trump, que está perdendo popularidade, perdeu a eleição esmagadoramente em vários estados e agora com a ausência dele na COP. Ele apanha dia e noite, não só o governador da Califórnia que foi lá, deitou e rolou, deitou e rolou em cima do Trump."

COP30

Minc comemorou o anúncio feito pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, que destinou R$ 430 milhões do Fundo Amazônia para apoiar agricultores familiares na recuperação de áreas degradadas com culturas como açaí, cacau, jussara, girassol e outras espécies nativas.

“Fiquei muito contente porque conheço o Paulo Teixeira e porque fui eu quem criou o Fundo Amazônia em 2008. Esse mesmo fundo que Bolsonaro e o sinistro Salles congelaram por quatro anos agora está sendo reativado para gerar emprego, recuperar solos e capturar carbono”, afirmou. Segundo o ex-ministro, a iniciativa prova que é possível unir justiça social e preservação ambiental. “Não se trata de escolher entre clima e inclusão social. Dá para fazer os dois juntos, e o Brasil está mostrando isso”, disse.

Veja entrevista completa no Jornal da Fórum

 

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