O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) dispararam uma série de ataques contra pessoas travestis e transexuais durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
A dupla parlamentar foi ao programa para divulgar um livro infantil que escreveram em parceria. A obra de Nikolas e Ana parte de um pressuposto radical de gênero: Deus e a biologia (órgãos genitais) é que definem o destino das pessoas.
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Que o livro lançado por Nikolas Ferreira e Ana Campagnolo é o suprassumo da transfobia, já sabemos, mas eles fizeram questão de deixar isso ainda mais claro durante a entrevista ao podcast.
Em um trecho que viralizou nas redes sociais, Nikolas e Ana resgatam o velho discurso utilizado contra a comunidade LGBT+: o de que são pessoas com transtornos mentais e que ignoram a realidade.
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“A realidade não é uma construção daquilo que você pensa. A realidade é aquilo que está em si mesma. Então, se eu chego e digo ‘olha, eu me sinto um poste’, você pode se pintar de cinza, botar uma luz na sua cabeça, eu não me importo. Agora, você me obrigar a te chamar de poste é outra história”, disse Nikolas Ferreira, em um raciocínio raso como um pires.
Mas Ana Campagnolo foi além: “A forma como você se comunica, a linguagem, ela teria que ter a ver com a realidade que se vê, que se constata, e não com o sentimento de quem fala somente. Se você está diante de uma pessoa que fala só do que sente, ignorando a realidade à volta, você diz que essa pessoa é louca [...] ela não está bem da cabeça.”
Nikolas Ferreira promove “ideologia de gênero” em livro infantil
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou as redes sociais para divulgar dois livros dos quais é coautor: “Ele é Ele” e “Ela é Ela”, escritos em parceria com a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC).
As obras de Ferreira e Campagnolo são o puro suco da “ideologia de gênero” — justamente aquela que eles juram combater — e reproduzem o discurso de ódio contra as infâncias LGBTQIA+.
No tuíte de Nikolas Ferreira usado para divulgar a “obra”, fica claro que o objetivo não é promover o amor e a aceitação, mas sim a vigilância e a punição:
“Esses livros são presentes para os filhos e também ferramentas para pais que desejam criar os pequenos com clareza, coragem, princípios inegociáveis e convicção de quem realmente são, de acordo com Deus e a biologia.”
O que será que o nobre deputado quer dizer com “princípios inegociáveis”? Que princípios são esses — amar apenas dentro da norma e odiar toda diferença sexual?
Mas há um outro trecho ainda mais revelador: “criar os pequenos com clareza [...] de acordo com Deus e a biologia.” Quando ele fala em biologia, será que se refere ao fato de o homem ter vindo do barro? Ou ao de Jesus ter nascido de uma mulher virgem?
Como se vê, a verdadeira “ideologia de gênero” não está no discurso dos movimentos LGBTQIA+ e feministas, mas sim na prosa fundamentalista que não aceita nada fora do binarismo de gênero e da heteronormatividade. Isso sim é uma autêntica tirania do gênero.