A ariranha gigante (Pteronura brasiliensis), maior espécie de lontra do mundo (entre as 14 existentes), endêmica da América do Sul — das grandes bacias hidrográficas de floresta tropical de planalto e várzeas —, está classificada como espécie "em perigo" na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN).
As lontras são caçadas por causa de sua pele, considerada a mais densa no reino animal e usada na confecção de roupas quentes, como casacos, chapéus e luvas. Entre as décadas de 1950 e 1970, a exploração comercial foi a maior responsável pela redução no número de indivíduos na natureza.
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Soma-se a isso a degradação do habitat natural da espécie por atividades agrícolas, mineração e hidrelétricas, que intensificam a ocupação humana de bacias hidrográficas em que elas costumam se reproduzir, ao longo de Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, as Guianas, Paraguai, Peru e Suriname, na extensão do continente sul-americano.
Projeções indicam que, entre 20 e 25 anos, mais de 50% da população remanescente de lontras sul-americanas possa desaparecer, o equivalente a três gerações inteiras.
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Créditos: Wikipedia
No entanto, a ariranha tem voltado a aparecer em regiões onde havia desaparecido há décadas: o "predador fofo", que mede entre 1,5 e 1,8 metro e pode pesar até 32 kg (no caso dos machos), preda nas águas turvas dos pântanos em que vivem e costuma se alimentar de pequenos peixes e crustáceos.
Em julho de 2025, uma família de quatro ariranhas, composta por dois espécimes adultos e dois filhotes nascidos em condições de semi-cativeiro, foi liberada na província argentina de Corrientes, nos pântanos Iberá. Essa iniciativa, liderada pela organização sem fins lucrativos Rewilding Argentina, foi responsável pela primeira reintrodução da espécie em um local onde ela havia desaparecido.
Considerada, até então, extinta da Argentina, a espécie foi trazida de volta após a última observação registrada na região argentina em 1986. Um avistamento raro havia ocorrido em 2021, quando um indivíduo foi registrado no Parque Nacional Impenetrável, no nordeste da província do Chaco, mas especialistas informaram ao canal da Mongabay que a lontra poderia ter sido apenas uma "visitante" que viajou sozinha a partir do Pantanal paraguaio.
A reintrodução das lontras na Argentina começou a ser planejada pela ONG em 2018, com a criação de alguns filhotes em cativeiro.
Também este ano, foi anunciada a presença da ariranha nos riachos de Tauramena, no departamento de Casanare, na Colômbia, na primeira confirmação da espécie na região em mais de 15 anos. A confirmação veio a partir de um estudo conduzido pela Orinoquia Biodiversa Foundation e apoiado pela GeoPark, que identificou cinco grupos familiares de lontras, com 27 indivíduos totais, o maior número já registrado na Colômbia.
Créditos: Ibama/ divulgação
No Brasil, estima-se que, entre Pantanal e Amazônia, existam cerca de 4.659 lontras-gigantes, vivendo entre riachos, lagos e pântanos tropicais. Em maio deste ano, filhotes de ariranha foram flagradas por câmeras de monitoramento no reservatório intermediário da UHE Belo Monte, no Pará, pela primeira vez desde 2012, segundo o Ibama. Um total de 280 mamíferos aquáticos e semiaquáticos foi registrado no entorno da usina nos últimos 13 anos.