Uma expedição internacional liderada pelo programa japonês Nekton Ocean Census, em parceria com o Schmidt Ocean Institute e outras organizações científicas, confirmou a descoberta de 30 novas espécies marinhas no Atlântico Sul, no entorno das ilhas Sanduíche do Sul, formadas por caldeiras vulcânicas e ecossistemas hidrotermais.
Com duração de 35 dias, a expedição — que combinou esforços internacionais diversos para a construção do Censo do Oceano — ocorreu a bordo do navio de pesquisa R/V, fornecido pelo Schmidt Ocean Institute, e analisou o fundo do oceano a partir de veículos operados remotamente (ROVs) equipados com câmeras de alta resolução e instrumentos de amostragem.
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Os cientistas mapearam o fundo do oceano, coletaram materiais e filmaram as novas espécies descobertas. No total, foram coletadas cerca de duas mil espécimes de 14 grupos taxonômicos.
Entre os destaques das novas descobertas estão os Eulagisca sp. nov., vermes cobertos por placas que dão uma aparência de “blindagem” e iridescência — anelídios com escamas que são adaptações morfológicas ao seu habitat de águas frias e vulcânicas.
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Crédito: Ocean Census / divulgação
Há também estrelas-do-mar das famílias Brisingidae, Benthopectinidae e Paxillosidae, com alguns espécimes nunca antes descritos, que formam comunidades bentônicas profundas e de grande importância ecológica, afirma o Censo do Oceano.
Crédito: Ocean Census / divulgação
Outra descoberta interessante foi a da esponja apelidada de “bola da morte” (Chondrocladia sp. nov.), um espécime carnívoro coberto por estruturas semelhantes a ganchos, que utiliza para reter suas presas, um padrão alimentar muito diferente daquele comum às esponjas, que são filtradoras. A nova espécie chamou a atenção por sua morfologia peculiar.
Foram coletados também novos crustáceos, cujo material genético está sob análise, além de moluscos, bivalves e outros invertebrados.
Crédito: Ocean Census / divulgação
A expedição alcançou ainda um marco com a primeira filmagem em alta definição de uma lula colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni), a maior espécie de lula existente e o maior invertebrado em termos de massa do planeta. Ela pode ultrapassar os 15 metros de comprimento em indivíduos adultos.
De acordo com a pesquisadora Michelle Taylor, chefe de Ciência do Censo do Oceano, o Oceano Antártico continua a ser subamostrado: até o momento, menos de 30% das amostras da expedição foram avaliadas, e já foram confirmadas 30 novas espécies de animais marinhos, o que reforça a importância de continuar a mapear áreas remotas e sujeitas a perturbações climáticas.
As amostras devem seguir agora para curadoria em museus e laboratórios ao redor do mundo, em parceria com as instituições envolvidas na expedição, que continuará ao longo do ano em outras regiões.