A China condenou duas ações recentes que envolvem a União Europeia e o Japão e violam o princípio de Uma Só China ao interferir em seus assuntos internos. As críticas foram feitas após pronunciamentos sobre Taiwan em Bruxelas e Tóquio, ambos vistos por Pequim como tentativas de apoiar o movimento separatista da ilha.
Discurso de Hsiao Bi-khim em Bruxelas
Na sexta-feira (7), a “vice-presidenta” de Taiwan, Hsiao Bi-khim, discursou em um evento da Aliança Interparlamentar (IPAC) no Parlamento Europeu, em Bruxelas, pedindo apoio ao movimento pela “independência” da ilha, que a China considera uma província integrante de seu território.
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O Ministério das Relações Exteriores da China protestou formalmente junto ao Parlamento Europeu, destacando que a presença de políticos taiwaneses na cúpula da IPAC constitui uma grave interferência nos assuntos internos chineses.
Em resposta, o lado europeu afirmou que o Parlamento Europeu mantém inalterado seu compromisso com a política de Uma Só China, esclarecendo que o evento não foi organizado pelo Parlamento, que os participantes não foram convidados oficialmente, e que nenhum contato foi feito entre as lideranças parlamentares e os representantes taiwaneses.
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Durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (10), em Pequim, a chancelaria chinesa afirmou ainda que as ações individuais de alguns eurodeputados não representam a posição oficial do Parlamento Europeu.
Segundo o porta-voz Lin Jian, a IPAC é financiada por instituições anti-China e “acostumada a espalhar desinformação sobre o país”. Pequim acusa o Partido Democrático Progressista (DPP), que governa Taiwan, de usar a IPAC para buscar apoio estrangeiro à sua agenda separatista.
“O espetáculo político encenado pelos políticos pró-independência de Taiwan e pela IPAC visa apenas chamar atenção, mas essas tentativas estão fadadas ao fracasso. Não importa as manobras a que o DPP e as forças separatistas recorram, jamais impedirão a reunificação da China”, afirmou Lin Jian.
O porta-voz também fez um alerta à Alemanha, que recebeu a "ex-presidenta" de Taiwan, Tsai Ing-wen, em Berlim, afirmando que a China se opõe firmemente à visita de separatistas pró-independência a países que mantêm relações diplomáticas com Pequim. Lin instou Berlim a não enviar “sinais errados” e a preservar suas relações bilaterais com a China.
Declarações da primeira-ministra japonesa
No mesmo dia, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou durante sessão no Parlamento japonês que uma emergência em Taiwan envolvendo forças militares da China continental poderia configurar uma “situação que ameaça a sobrevivência do Japão”.
De acordo com a legislação japonesa, em caso de reconhecimento de tal situação, as Forças de Autodefesa do Japão poderiam exercer o direito de autodefesa coletiva, inclusive em apoio a aliados como os Estados Unidos.
Em reação, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que os comentários da líder japonesa “implicam a possibilidade de intervenção armada no Estreito de Taiwan”, o que constitui “grave interferência nos assuntos internos da China”.
“Isso viola o princípio de Uma Só China, os quatro documentos políticos entre China e Japão e as normas básicas das relações internacionais. É um ato escandaloso, tanto em sua natureza quanto em seu impacto. Taiwan é parte inalienável da China. Resolver a questão de Taiwan e alcançar a reunificação é um assunto interno chinês que não tolera interferência estrangeira”, disse Lin.
O porta-voz também evocou o contexto histórico: “Este ano marca o 80º aniversário da vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e da restauração de Taiwan. O Japão cometeu inúmeros crimes durante seu domínio colonial na ilha. Que o líder japonês tente se envolver novamente nos assuntos do Estreito é uma afronta à justiça internacional, uma provocação à ordem do pós-guerra e um golpe sério às relações China-Japão.”
Lin concluiu afirmando que a China deve e irá alcançar a reunificação, e que o povo chinês tem “determinação, vontade e convicção” para frustrar qualquer interferência externa.
“A China insta o Japão a parar imediatamente de interferir, provocar e cruzar a linha, evitando seguir pelo caminho errado”, finalizou.