O recém-testado míssil russo Burevestnik, nome de uma ave marinha, permaneceu em vôo durante 16 horas e percorreu 15 mil quilômetros, informaram fontes russas ao Russia Today.
Donald Trump reagiu dizendo que os EUA também testam seus mísseis e desviou o assunto para a Ucrânia: "Uma guerra que deveria ter durado uma semana está agora em seu quarto ano. É isso que [Putin] deveria fazer em vez de testar mísseis".
Te podría interesar
Analistas militares consideram o míssil uma "virada de jogo", por causa de sua capacidade de manobrar e fugir de sistemas anti-aéreos. O Burevestnik voa a baixa altitude e seria capaz de furar sistemas anti-mísseis como a chamada Cúpula de Ferro, que protege Israel.
Cúpula de Ouro
Trump tem dito que vai investir em uma Cúpula de Ouro para proteger o território dos EUA.
Um analista estadunidense, ex-oficial do Exército, resumiu:
O míssil pode contornar zonas antiaéreas, zonas de radar... permaneceu no ar por 16 horas. Possivelmente, pode permanecer no ar por mais tempo. Isso significa que é uma arma de segundo ataque, o que significa que, se a Rússia for atingida, ela revidará.
O temor de toda potência nuclear em eventual guerra é de ser atingida de primeira, num bombardeio massivo que acabe com sua capacidade de reagir.
O novo míssil russo tem motores movidos a energia nuclear e o potencial de carregar ogivas nucleares.
Mísseis de longo alcance em geral desenvolvem trajetória balística em vôo, ou seja, deixam a atmosfera antes de desabar sobre o alvo.
Porém, neste caso, a trajetória é indefinida e pode ser modificada a qualquer momento. O oficial dos EUA Stanislav Krapivnik explicou:
Atualmente, sistemas de radar e sistemas antiaéreos, normalmente usados contra mísseis balísticos como este, são instalados em trajetórias balísticas prováveis de países que podem disparar contra os EUA: Coreia do Norte, China e Rússia. Portanto, eles não precisam cobrir todo o território dos EUA. Com este míssil, teriam que cobrir todo o território dos Estados Unidos, o que torna tudo muito, muito mais difícil e muito mais caro.
Fim de acordo
Neste momento, os Estados Unidos exercem grande pressão sobre a Rússia para ceder nas negociações com a Ucrânia e aceitar um cessar-fogo.
O Kremlin parece ganhar tempo.
Frustrado com Vladimir Putin, Trump mandou sancionar as duas maiores petrolíferas russas, Rosneft e Lukoil, além de exercer forte pressão para que a Índia deixe de comprar petróleo russo.
Hoje, Putin assinou uma lei que enterra um acordo nuclear com os Estados Unidos que previa que as duas potências se livrariam de 34 toneladas de plutônio enriquecido em grau de uso militar.
Ao mesmo tempo, Trump trabalha para aproximar os EUA dos principais players dos BRICS, como o Brasil e países asiáticos. Além disso, afirmou que pretende reencontrar Kim Jong-un, o líder da Coreia do Norte, hoje principal aliado da Rússia.
O presidente estadunidense está em um périplo pela Ásia tentando tirar o atraso.
Hoje, China e Índia retomaram vôos entre os dois países, num passo histórico para normalizar relações, depois de cinco anos sem ligação aérea direta.
Vantagem em solo
A reticência de Vladimir Putin em ceder terreno para fechar acordo com a Ucrânia tem a ver com a crença russa de que está vencendo a guerra.
No domingo, o chefe do Estado Maior Valery Gerasimov informou que quase 11 mil soldados ucranianos estão cercados por movimentos em pinça do exército russo nas proximidades de Kupyansk e Krasnoarmeysk, no leste da Ucrânia.
Volodymyr Zelenski, o presidente da Ucrânia, disse que é pura propaganda e afirmou que seu país está pronto para ao menos mais três anos de conflito.