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A barbárie capitalista do trumpismo e o ataque às pessoas LGBTQIA+ - por Pimenta

O governo Trump marcou um avanço do ódio institucionalizado nos Estados Unidos

A barbárie capitalista do trumpismo e o ataque às pessoas LGBTQIA+.Créditos: ANDREW HARNIKGETTY IMAGES NORTH AMERICAGetty Images via AFP
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O governo Trump marcou um avanço do ódio institucionalizado nos Estados Unidos. Sob o pretexto da moral conservadora e do nacionalismo, sua administração alimentou um projeto separatista que buscava dividir a sociedade entre aqueles que mereciam direitos e os que deveriam ser silenciados.

Um exemplo é a lei conhecida como “Don’t Say Gay”, sancionada pelo governador da Flórida, Ron DeSantis, um dos herdeiros políticos do trumpismo. A lei proíbe que escolas discutam orientação sexual e identidade de gênero entre crianças da pré-escola até o 3º ano do ensino fundamental e abre espaço para perseguições a professores e famílias que defendem a diversidade.

Trata-se de um ataque direto à liberdade de expressão, à educação crítica e, principalmente, à dignidade de jovens LGBTQIA+, que crescem sem o direito de ver suas existências reconhecidas e respeitadas. Logo nos primeiros atos pós-reeleição, Trump direcionou ataques às pessoas trans, retirando proteções conquistadas em governos anteriores e negando direitos básicos, como o acesso a banheiros condizentes com a identidade de gênero.

Para compreender a base desse projeto de ódio, é preciso analisar a psicologia das massas. Wilhelm Reich, em sua obra "Psicologia de Massas do Fascismo" (1933), mostrou como a adesão popular a regimes autoritários se apoia em uma cultura de repressão sexual e social. O fascismo manipula impulsos reprimidos, transformando medo, frustração e insegurança em obediência irracional.

Por isso, mesmo explorados, setores da população podem apoiar ideologias que atacam seus próprios direitos e interesses. Dentro dessa análise, é essencial destacar as identidades e lutas identitárias, incluindo o movimento LGBT sem “T”, como instrumentos do separatismo. Esse movimento, que organiza e visibiliza a população LGB sem inclusão do “T”, evidencia a fragmentação das lutas específicas dentro da comunidade LGBTQIA+, ao mesmo tempo em que nega a legitimidade de outras identidades.

As lutas dessas identidades não são apenas demandas por direitos específicos, mas formas de contestar o sistema de exploração e dominação, fortalecendo a consciência coletiva e a solidariedade contra o capitalismo e o autoritarismo. O ataque às pessoas LGBTQIA+ não é isolado: ele faz parte de uma engrenagem maior do capitalismo em crise, que utiliza o conservadorismo como ferramenta de controle social.

Enquanto a riqueza se concentra nas mãos de poucos, a guerra cultural contra os mais vulneráveis divide a classe trabalhadora e desvia o foco da exploração econômica. Nossa resposta deve ser coletiva, solidária e revolucionária. O fortalecimento das lutas identitárias dentro de uma perspectiva comunista não apenas combate o ódio e a opressão imediata, mas também constrói bases para uma sociedade livre, justa e igualitária, onde todes possam viver com dignidade.

Só a superação do capitalismo permitirá que essa transformação se torne realidade.

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