O cantor e compositor Rinas Francisco lançou na última sexta-feira (5) o álbum “O Sonho Acabou”, que surge como extensão do longa-metragem, que leva o mesmo nome do disco, apoiado pela Prefeitura de Poá e pela Lei Paulo Gustavo, e traz canções que refletem angústia, humor, precariedade e lampejos de beleza do cotidiano.
Segundo Rinas, cada faixa foi concebida como um personagem dentro da narrativa audiovisual, buscando transformar experiências reais em expressão artística: “Comecei pelo silêncio e pelo incômodo do vazio, e fui preenchendo com sons da própria realidade, das memórias e das tensões do cotidiano. Transformar a mediocridade em estética foi meu norte.”
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Rinas Francisco é conhecido por misturar humor ácido, sarcasmo e crítica social, transitando entre MPB, experimentalismo e temáticas como amor, existencialismo e esoterismo. Com o novo projeto, ele busca traduzir a realidade urbana e social em música, cinema e performance, criando um manifesto artístico que dialoga com a vivência contemporânea no Brasil.
A seguir, confira a entrevista exclusiva de Rinas Francisco à Fórum, na qual ele fala sobre o processo de criação do projeto “O Sonho Acabou”:
Fórum - Como surgiu a ideia do projeto (disco + filme)?
Rinas Francisco - Eu já havia lançado "Canções de Ninar o Fim do Mundo" - um EP - em 2024. E em seguida, comecei a escrever um roteiro de curta-metragem, que na inspiração, virou um longa. A partir de então, surgiram as músicas, as ideias e caminhos. Tudo faz parte de um conjunto só de pensamentos, poesias e ironias.
Fórum - Quais sonhos acabaram?
Rinas Francisco - Na verdade, a minha arte é um convite à reflexão sobre todos os sonhos. Em meio a tantos devaneios, tecnologias, inovações - creio que a gente perdeu a capacidade de sonhar - ou pelo, esqueceu. É tanto live action e fórmulas de herói - que pra nós, artistas, só nós resta sonhar mesmo. E no meu caso, fazer poesia e piada.
Fórum - Você está pessimista com o mundo?
Rinas Francisco - Acho que o pessimismo é só mais uma das fórmulas de ver o mundo. Isto é, as coisas carregam seus conceitos positivos e negativos - e tudo é uma coisa só - SEMPRE. Assim, traduzo na minha arte as dualidades da vida: piada e tragédia, drama e ação, tristeza e poesia.
Fórum - Como definiria o filme?
Rinas Francisco - O filme é uma mistura de comédia, filosofia, sociologia, carrega um grande contexto histórico sobre o momento caótico que estamos vivendo. Traduzo em reflexões as banalidades do nosso cotidiano: relógio, trem, alarme, inteligência artificial e profissional de RH.
Fórum - Como serão as exibições do filme?
Rinas Francisco - O filme será exibido nos principais locais de quem me deixar exibir (e estou à disposição). Mas de início, vamos fazer duas primeiras sessões.
Sendo a primeira aqui para alunos da rede municipal de Poá - no dia 08 de setembro - pós independência do Brasil. Será um grande marco para a nossa história, a minha e do meu gato. Dois ônibus da secretaria municipal de educação irão buscar os alunos na escola e promover um dia de cinema e cultura para os estudantes de Poá.
Já a segunda exibição será em São Paulo, mas ainda não temos uma data e local definidos. Mas vamos fazer uma première com todos os atores, familiares, amigos e imprensa.