NÃO É POSSÍVEL

"Influenciador" põe bomba falsa em aeroporto de RO e o pior é o motivo

Chamado Enzo, ele “tinha um sonho”, segundo o advogado. Episódio criminoso mobilizou unidades especializadas da PM rondoniense e gerou apreensão

O "influeciador" Enzo Master, que colocou uma bomba falsa no aeroporto de Porto Velho.Créditos: Redes sociais/Reprodução
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Carlos Eduardo Lenartowicz Lima, um “influenciador” conhecido como Enzo Master nas redes sociais, foi preso preventivamente após se entregar à Polícia Federal na segunda-feira (18) após causar pânico e apreensão no Aeroporto Internacional de Porto Velho (RO). Na última quinta (14), o tal “influenciador”, que tem 23 anos, deixou uma bolsa com um artefato falso, que simulava ser uma bomba. O que motivou esse gesto irresponsável e perigoso? Um desejo insano de se aproximar de um outro “influenciador” que é seu ídolo, conhecido como Buzeira, e conquistar seguidores. Em muitos países, a atitude de Enzo seria punida com décadas de prisão, mas no Brasil, aparentemente, apenas gerou uma defesa extremamente questionável.

O artefato encontrado era composto por um tijolo coberto com papel alumínio, uma calculadora simulando um detonador, e dois fios. A polícia foi acionada e o Esquadrão Antibombas da PM de Rondônia foi mobilizado para lidar com a situação, enquanto o aeroporto ficava fechado por mais de quatro horas. Felizmente, ninguém foi ferido, mas a ameaça, real ou não, causou medo e grandes transtornos.

O motivo mais absurdo possível

Em sua defesa, o advogado de Enzo, Jackson Chediak, alegou que o jovem agiu de forma impensada, movido por um "sonho" de sucesso nas redes sociais. Segundo o advogado, Enzo queria se aproximar de Buzeira e acreditava que, ao deixar a bolsa com a bomba falsa, a repercussão seria suficiente para alcançar sua meta de popularidade.

"Ele agiu motivado pelo sonho de muitos jovens, de sucesso na rede mundial de computadores. Ele é seguidor deste influencer, e querendo proximidade com ele, e para ganhar seguidores, teve a ideia de fazer uma bomba falsa e colocar uma carta endereçada a ele dentro da bolsa", argumentou o advogado, tentando minimizar o ato com a desculpa de que Enzo estava buscando apenas criar conteúdo, "realizar um sonho" e não causar dano real.

A situação se complica ainda mais quando o advogado defende que o jovem deve ser responsabilizado, mas de forma proporcional. "Temos o direito do arrependimento eficaz: Foi ele quem ligou para a polícia, e esclareceu de imediato que não havia bomba. Ele tem que responder sim pelo que fez, mas na medida da culpa dele", acrescentou Chediak

Enzo, na tentativa de se aproximar do seu ídolo digital, optou por criar uma situação de risco em pleno aeroporto, como se isso fosse uma forma legítima de conquistar atenção. De acordo com a defesa, minutos após deixar a bolsa, ele ligou para a polícia para alertar sobre o falso artefato. No entanto, o ato de ligar não apaga o mal causado pela mobilização de equipes especializadas e a paralisação das operações do aeródromo.

Consequências legais: A gravidade do crime

Enzo foi indiciado com base nos artigos 261 e 262 do Código Penal, que tratam de atentados contra a segurança de transportes e de criar perigo para embarcações ou aeronaves. Mesmo que o advogado tente argumentar que a prisão preventiva é excessiva, dizendo que "a prisão cautelar preventiva é uma prisão muito mais gravosa do que a própria pena", o risco que Enzo representou para a segurança pública não pode ser ignorado.

"Não causou perigo concreto à aviação. Caberia aí o enquadramento em contravenção, em alarme falso, e não em crime contra a segurança de transporte aéreo. Há uma ausência de dolo específico. A intenção dele era criar conteúdo de internet, não de causar terror ou perigo real", insistiu o defensor.

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