O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi desmascarado pelo também senador Humberto Costa (PT-PE) nesta quarta-feira (5), durante a votação no Senado que marcou a aprovação definitiva do projeto do governo Lula que garante a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
Ao orientar o voto do PL, Flávio afirmou que votaria a favor pois a isenção do IR era um compromisso de campanha de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma clara tentativa de "assumir a paternidade" do projeto. Acontece que, apesar de ter feito tal promessa, Bolsonaro passou 4 anos no governo e não a cumpriu.
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"É óbvio que o nosso voto vai ser a favor desse projeto, até porque também era um compromisso de campanha do presidente Bolsonaro", disparou Flávio.
Humberto Costa, então, foi à tribuna do Senado para desmascarar o filho do ex-presidente e destacar que a isenção do IR foi um projeto elaborado pela equipe econômica de Lula e aprovado com a articulação do governo federal.
"Promessa que ele não cumpriu. Passou quatro anos, não fez. E durante todo esse período, a população brasileira, os contribuintes brasileiros sofreram com a ausência de correção da tabela do Imposto de Renda. Eles vêm aqui agora para falar de desemprego no momento em que nós estamos vivendo no Brasil a menor taxa histórica de desemprego, resultado de uma política econômica exitosa que promoveu o crescimento econômico. Acima de qualquer previsão do mercado de economistas da oposição. Um país que conseguiu elevar a renda média da sua população a R$ 3.057, o que não acontecia desde 2012. Então, esses argumentos são inteiramente falaciosos. E o que nós estamos fazendo hoje é garantir o início, porque isso não é o fim, é o início de uma reforma do Imposto de Renda que vai, ao final, promover justiça tributária efetivamente", declarou o petista.
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Isenção do IR aprovada no Senado
O Senado Federal aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (5), o Projeto de Lei 1087/2025, que isenta do Imposto de Renda (IR) pessoas com rendimento mensal de até R$ 5 mil e aumenta a tributação sobre altas rendas. A proposta segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, caso seja aprovada até o fim do ano, começará a valer em janeiro de 2026.
De acordo com estimativas do governo, cerca de 25 milhões de brasileiros serão beneficiados com a redução de impostos, enquanto 200 mil contribuintes — pertencentes às faixas mais altas de renda — passarão a pagar mais. “É uma medida que dialoga com a vida real das pessoas”, afirmou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Para equilibrar as contas públicas, o texto cria uma alíquota adicional progressiva de até 10% sobre rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil (ou R$ 50 mil mensais). Além disso, prevê tributação de 10% sobre lucros e dividendos enviados ao exterior, medida que busca conter a evasão fiscal e ampliar a arrecadação.
O projeto foi enviado ao Congresso pelo Executivo em março e aprovado pela Câmara dos Deputados em outubro. No Senado, teve como relator Renan Calheiros (MDB-AL), que acatou emendas dos senadores Eduardo Gomes (PL-TO) e Rogério Carvalho (PT-SE), mantendo o núcleo da proposta original.
Em suas redes sociais, o senador Renan Calheiros classificou a provação do projeto como "histórica": "Dia histórico no Senado. Em um mesmo dia, aprovamos o Imposto Zero para quem ganha até 5 mil/mês. O benefício alcança 90% da população e inicia um processo de justiça tributária. É um orgulho ter sido o relator da proposta que vai mudar a vida de muita gente."
Lula celebra
Através das redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a aprovação do projeto de seu governo que garante Imposto de Renda zero para quem ganha até R$ 5 mil.
"Hoje é um dia histórico. Demos um passo decisivo para um país mais justo, com um sistema tributário que torna a contribuição mais equilibrada e reconhece o esforço de todos que ajudam a construir o Brasil. Com a aprovação de nosso projeto de Lei pelo Congresso Nacional, com imposto zero para quem recebe até 5 mil reais e desconto para quem ganha entre 5 mil e 7.350 reais, milhões de pessoas que vivem de seu trabalho não precisarão mais pagar o IR ou terão imposto reduzido, garantindo mais dinheiro no bolso. Quem ganha muito vai contribuir com a sua justa parte. O nome disso é justiça tributária", escreveu Lula.
"Agradeço ao presidente Davi Alcolumbre, ao relator Renan Calheiros e a cada um dos líderes que conduziram o processo de aprovação do projeto no Senado, após sua aprovação na Câmara. Por unanimidade, nos dois casos. Uma vitória da democracia e da justiça social. É o Governo do Brasil do lado do povo brasileiro", prosseguiu o presidente.