A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) reagiu com deboche à investigação sobre as chamadas “emendas pix” no valor de R$ 800 mil enviadas por ela ao clube de tiro Top Gun Armas e Acessórios Ltda, que pertence a um amigo pessoal, em São José (SC). O caso foi identificado em auditoria do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) e agora está sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU).
Em vídeo publicado nas redes sociais, Zanatta minimizou as acusações, disse que “a maioria dos clubes de tiro de Santa Catarina tem seu apoio” e debochou afirmando que pretende enviar mais recursos para a mesma finalidade — o que pode elevar o valor total do contrato para acima de R$ 3 milhões, já que a pesquisa de preços foi renovada por mais um ano, abrindo brecha para novos repasses.
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“Vários sites de esquerda tem noticiado que a deputada Júlia Zanatta enviou R$ 800 mil para um clube de tiro. Desculpa. Ano que vem vou enviar mais, para que a Guarda Municipal possa continuar treinando em um clube de tiro, e não só para treinamento. Munição, fuzil, tudo que for necessário. E esse blábláblá de que o dono é meu amigo, meus amigos, a maioria dos clubes de tiro de Santa Catarina tem meu apoio, são meus amigos”, afirmou no vídeo divulgado nas redes sociais.
Zanatta ainda apareceu portando uma arma na cintura, acusando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “tentar acabar com os clubes de tiro”, e ainda fez outra publicação, em que aparece sentada em um trono feito de armas, em alusão à série da HBO, Game of Thrones. “A gente sabe que o governo Lula tenta acabar com o clube de tiro, a legítima defesa…”, continuou a parlamentar no vídeo.
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Entenda
O relatório da auditoria aponta indícios de direcionamento no processo de contratação do clube, responsável por ministrar cursos à Guarda Municipal de São José, e descreve uma “sequência de fatos e indícios que saltam aos olhos”, sugerindo manipulação no processo de escolha da empresa. A equipe do TCE recomendou que o caso seja encaminhado à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF).
A deputada não explicou, contudo, as evidências destacadas pelo TCE, que apontam irregularidades graves no processo. O levantamento de preços incluiu apenas a Top Gun e um clube da cidade natal da parlamentar, enquanto as demais consultas foram feitas a empresas de outros estados. O órgão também identificou pelo menos 10 possíveis concorrentes locais que poderiam ter sido incluídos, inclusive um clube frequentado por Adélio Bispo, autor do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018.
Além disso, a auditoria constatou assinaturas falsas em documentos inseridos fora do prazo legal — com atrasos de pelo menos 18 dias — e omissões no edital, que evitou usar termos como “clube”, “tiro” ou “estande”, descrevendo o serviço apenas como “cursos de capacitação”. O TCE considerou ainda inadequado o fato de a prefeitura não ter buscado parcerias com órgãos públicos para o treinamento da guarda municipal.