FOGO AMIGO

Bolsonaristas acusam Nikolas Ferreira de querer “minar” Bolsonaro e comandar a ultradireita

Perfil no X, seguido por Carlos Bolsonaro e os ex-Secom Fabio Wajngarten e Felipe Pedri, diz que Nikolas atua “nas sombras” e usa Ana Campagnolo como peça tática para assumir o comando da ultradireita no vácuo deixado pelo clã Bolsonaro.

Nikolas Ferreira: entre armas e a ideologia cristã para suceder o comando do clã Bolsonaro.Créditos: Facebook / Nikolas Ferreira
Escrito en POLÍTICA el

Uma análise publicada no X nesta terça-feira (11) atribui ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) um plano de “erosão interna” para minar Jair Bolsonaro (PL) e comandar a extrema-direita. O perfil que publicou é um dos poucos seguido por Carlos Bolsonaro, a thread descreve uma estratégia de “fogo amigo” baseada em ruídos constantes contra o ex-presidente e num reposicionamento de Nikolas como “mais à direita” que o próprio líder do bolsonarismo.

O perfil, que tem o nickname PhantomZVX - King of ZV - tem ainda como seguidores dois ex-Secretários de Comunicação da Presidência (Secom) de Jair Bolsonaro (PL), Fabio Wajngarten e Felipe Pedri, ambos ligados aos filhos Eduardo e Carlos.

O desconforto entre Nikolas e o clã Bolsonaro vem de meses. Em julho, a Fórum mostrou que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) incentivou ataques ao correligionário, em meio a cobranças públicas por alinhamento. Dias depois, ele escalou as críticas, num sinal claro de disputa de espaço e audiência.

Há ainda episódios que reforçam a tese do “tiro no pé” dentro do PL. Em junho, reportagem da Fórum registrou a acusação de que o próprio partido teria vazado um caso envolvendo parente de Nikolas. A leitura no entorno do bolsonarismo é de guerra intestinal por capital político, monetização digital e controle da pauta moral.

O “fogo amigo” descrito no X

Segundo o fio, a tática de Nikolas combina três movimentos: criar ruído permanente contra Bolsonaro, antagonizar por “ser mais duro” em temas de costumes e mobilizar uma militância própria com referências olavistas à “ação” e “purificação da direita”. O objetivo seria acender a franja mais radicalizada da base e convertê-la em patrimônio pessoal do deputado.

O fio aponta a aproximação com Ana Campagnolo (PL-SC) como peça do tabuleiro. A aliança, de fato, tem rendido atos públicos e conteúdo conjunto. Em outubro, a Fórum registrou ataques de ambos a pessoas trans em entrevistas e redes. No plano interno, Campagnolo coleciona atritos no PL catarinense e bateu de frente com nomes ligados ao bolsonarismo local.

O ruído envolve até a disputa pelo Senado em Santa Catarina e a relação com a família Bolsonaro. Em 6 de novembro, a Fórum mostrou nova crise na sigla, com Campagnolo se rebelando contra articulações que envolvem o nome de Carlos Bolsonaro. É nesse caldo que a thread situa o realinhamento de Nikolas.

Outro ponto citado é a parceria oportunista com Pablo Marçal, figura de forte tração em nichos evangélicos e do marketing motivacional. A aproximação rende alcance, mas também bagagem. Em 2024, a Fórum documentou a existência de condenação criminal e revelou, com base em documentos, que ele saiu da prisão em 2005 após delatar líderes de sua quadrilha. Para a estratégia descrita no X, o custo reputacional parece compensado pelo ganho de base e de palco.

Disputa de hegemonia no bolsonarismo

A leitura do fio é que Nikolas opera num vácuo deixado pela inelegibilidade de Bolsonaro e pela dispersão do clã em brigas internas. Em vez de confronto frontal, seria um processo lento de corrosão da autoridade simbólica do ex-presidente, reposicionando o mineiro como polo de referência entre jovens ultraconservadores e influenciadores religiosos.

O histórico recente reforça a moldura. Além de choques com Eduardo, Nikolas tem buscado pautas de choque para engajamento e diferenciação, como no lançamento de livro e em conteúdos contra pessoas trans. A Fórum registrou a ofensiva em 7 de outubro e 20 de outubro.

 

 

 

 

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