O campo progressista celebra a aprovação por unanimidade do projeto de isenção do Imposto de Renda (IR), como é conhecido o Projeto de Lei (PL) 1087/2025. Ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann foi uma uma das primeiras lideranças a comemorar. Contudo, enquanto o progressismo vibrava, a reação do bolsonarismo foi tímida.
Nas redes sociais, Gleisi classificou a aprovação de “dia histórico” e ressaltou que a proposta representa um passo fundamental rumo à justiça tributária, compromisso assumido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre suas propostas de mandato.
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“Quero agradecer a todos(as) que estiveram conosco nessa caminhada. Agradecer o presidente Hugo Motta, o relator Arthur Lira e os líderes dos partidos para o resultado dessa votação tão importante para o país. E temos certeza de que assim será também no Senado. Viva o Brasil!”, publicou a deputada.
O entusiasmo não ficou restrito a ela. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também celebrou o avanço, classificando-o como um marco no enfrentamento da desigualdade social. “Não há desenvolvimento com esse nível de desigualdade. Não há justiça. Começamos e juntos vamos concluir esse trabalho”, afirmou.
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O presidente Lula reforçou o coro e destacou o alcance da medida: 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar o imposto. Além disso, o projeto prevê redução da cobrança para quem ganha até R$ 7.350 e estabelece uma contribuição extra para cerca de 140 mil super-ricos. “Essa é uma vitória compartilhada pelo Governo do Brasil, as deputadas e deputados e pelos movimentos sociais”, declarou o mandatário.
No campo da esquerda, o tom foi de triunfo. O deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) ressaltou que a pressão popular foi decisiva para vencer resistências do centrão e da oposição. “Mais de 10 milhões de pessoas deixarão de pagar imposto de renda e cerca de 140 mil muito ricos passarão a contribuir. Isso é justiça tributária. E é só o começo”, disse.
Do outro lado, lideranças da extrema direita se limitaram a críticas pontuais ao processo legislativo e à taxação dos mais ricos, evitando um enfrentamento mais direto com uma proposta de amplo apelo popular. A estratégia reflete a dificuldade em se opor a uma medida que beneficia milhões de trabalhadores de baixa e média renda em plena disputa por narrativas sobre quem realmente defende “o povo”.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que a correção da tabela do IR deveria ser automática, anual e vinculada ao índice oficial da inflação. Ele ainda destacou que disse que a oposição recorrerá ao Senado Federal e atacou o governo Lula, dizendo que a direita “sofreu um golpe” — sem lembrar, em momento nenhum, que a votação pelo PL foi unânime, incluindo votos do campo conservador.
“Infelizmente, sofremos um golpe e não nos foi permitido sequer que votássemos essa proposta excelente para o cidadão. Vamos trabalhar para que o Senado inclua a correção anual da tabela do IR. Também batalharemos no Senado para que a redução de impostos para uns não signifique aumento de impostos para outros. O governo Lula tem desperdiçado muito dinheiro e precisa cortar na própria carne”, choramingou van Hattem.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC), por outro lado, lembrou da unanimidade, afirmando que votou a favor da isenção até R$ 5 mil, mas criticou a forma de compensação prevista no projeto, defendendo os mais ricos. Segundo ela, a taxação dos mais ricos resultará em repasse de custos para todo o setor — mas, no projeto, há a previsão da compensação no setor, justamente para não haver repasse de custos na Economia.
“A palavra da moda é ‘justiça tributária’, mas a verdade é que estão pensando apenas no pacote eleitoral para enganar os desatentos. O governo Lula não corta gastos e a consequência é que tudo ficará mais caro e corroerá o poder de compra do mais pobre”, atacou Zanatta.
Agora, a expectativa recai sobre o Senado Federal, onde o governo aposta em nova vitória para consolidar o projeto como uma das marcas sociais mais significativas da atual gestão.
Veja repercussões: